quarta-feira, 23 de setembro de 2020

ARREPENDIMENTO ANTES DO JULGAMENTO DIVINO

 

INTRODUÇÃO: Texto bíblico: Lucas 13:1-5

 

1. Não devemos ser ingênuos como para acreditar que o sofrimento humano esteja ligado à falta de habilidade divina: Jesus não pode ser comparado a super-homens criados por mentes gananciosas que almejam vender seus produtos para crianças e jovens, que desejam projetar sua sede de poder em personagens imaginários, que corre para salvar pessoas de uma torre que cai sobre os trabalhadores ou das mãos do cruel Pilatos contra os adoradores do templo.

2. Não devemos ser ingênuos quanto às mensagens a serem extraídas das catástrofes e desgraças que nos ameaçam a vida: As ameaças oriundas das catástrofes e desgraças naturais e morais são parábolas, outdoors e evidências das consequências da entrada do mal no Planeta que Deus diagnosticara como sendo muito bom no sexto dia da criação.

3. Não podemos ser ingênuos quanto ao que Jesus intenta nos ensinar através das tristes notícias que chegam até nós: O mal moral (no perfil de Pilatos), e o mal natural (no desastre da torre de Siloé), nos mostram quanto Deus quer que aprendamos com inundações, terremotos, enchentes, maremotos, fome, pragas, tornados, furacões e vírus. Em cada desastre, catástrofe e acidente, Deus nos convida ao arrependimento.

 

I. PRECISAMOS APRENDER A NÃO ESCONDER NOSSOS ERROS FOCANDO NOS ERROS ALHEIOS – Lucas 13:1-2, 4

 

“Os homens de então estavam tão prontos, porém, como hoje estão, para concluir que são favoritos do Céu, e que a mensagem de advertência destina-se para outros. Os ouvintes contaram a Jesus de um acontecimento que acabava de causar grande sensação. Algumas medidas de Pôncio Pilatos, o governador da Judeia, escandalizaram o povo. Houvera um levante em Jerusalém, e Pilatos tentara sufocá-lo pela violência. Numa ocasião seus soldados invadiram o átrio do templo, e degolaram alguns peregrinos galileus, no ato de oferecer seus sacrifícios” (Ellen G. White).

 

1. Ao falarmos sobre os outros geralmente focamos em seus defeitos, pois ao diminuir os outros podemos criar a sensação de que somos melhores ou superiores, quando na verdade somos iguais a qualquer pecador.

2. Ao reunirmos com as pessoas gostamos das fofocas, de receber e compartilhá-las; gostamos de fazer piadas dos outros, sempre diminuindo as pessoas; gostamos de rir das desgraças e defeitos dos outros. Será que esse comportamento não está explicado no relato em apreço?

3. Ao conversamos sobre as pessoas somos inclinados a fazer avaliações pautando-nos erroneamente na filosofia de que o sofrimento de alguém se deve ao mau comportamento, um pensamento farisaico e legalista. Pense comigo:

 

a) Se era um juízo divino a morte dos massacrados por Pilatos por causa de seus pecaminosos atos, não deveria ser Pilatos que teria de ser punido?

b) Se era um juízo divino a morte dos 18 trabalhadores no acidente da torre de Siloé, não deveriam os preguiçosos, as prostitutas e vagabundos terem sido esmagados pelo acidente?

c) Se o sofrimento e morte são juízos divinos, o que dizer de Jó e de Cristo que tanto sofreram neste mundo?

 

II. PRECISAMOS PERMITIR QUE CRISTO MUDE O FOCO QUANDO PRETENDEMOS JULGAR OS OUTROS – Lucas 13:1-5

 

“Os judeus consideravam a calamidade um castigo movido pelos pecados das vítimas; e aqueles que narravam esse ato de violência, faziam-no com satisfação íntima. Segundo seu modo de ver, sua felicidade era prova de serem muito melhores, e por isso mais favorecidos de Deus do que aqueles galileus. Esperavam ouvir de Jesus palavras de condenação sobre esses homens que, sem dúvida, haveriam merecido a pena” (Ellen G. White).

1. Devemos deixar que Jesus tire nosso foco colocado na morte dos outros; e, nos mostre que a morte é real e inevitável para nós, como é para os outros.

2. Devemos parar de fazer juízo às pessoas para entender que um juízo divino nos espera e precisamos nos arrepender de nossos erros e, não pensarmos que somos melhores que os outros.

3. Devemos substituir reflexões equivocadas por reflexões corretas; em vez de esconder-se atrás dos pecados do próximo, é preciso reconhecer a própria condição, o miserável coração, os próprios pecados e as consequências de todos eles.

 

a) Ao ouvir sobre mortes súbitas, reflita assim: Estaria eu em dia com Deus, se tivesse acontecido comigo?

b) Ao ouvir sobre crimes ou acidentes terríveis contra alguém, reflita assim: Se eu fosse a vítima, estaria com meus pecados confessados, arrependidos e perdoados?

c) Ao ouvir o número de mortes de qualquer epidemia ou pandemia, reflita assim: Estaria eu salvo ou perdido?

 

III. PRECISAMOS COMPREENDER QUÃO IMPORTANTE É QUE NOSSO ARREPENDIMENTO VENHA ANTES DO NOSSO JULGAMENTO – Lucas 13:3, 5

 

“Falando Jesus aos discípulos e à multidão, olhava com visão profética para o futuro, e via Jerusalém sitiada por exércitos. Ouvia o barulho dos estranhos que marchavam contra a cidade escolhida, e via-os, aos milhares, perecendo no cerco. Muitos judeus eram então assassinados como aqueles galileus no átrio do templo, no próprio ato de oferecer sacrifício. As calamidades que sobrevieram a alguns indivíduos, eram advertências divinas a uma nação igualmente culpada. ‘Se vos não arrependerdes’, disse Jesus, ‘todos de igual modo perecereis’. O tempo da graça duraria ainda um pouco para eles. Ainda podiam conhecer as coisas que diziam respeito à sua paz” (Ellen G. White).

1. As pessoas que ouviam Jesus naquela época deveriam saber que a catástrofe viria sobre Jerusalém, e deveriam se arrepender. Não muito tempo depois, no ano 70, Jerusalém foi saqueada por Tito Vespasiano – cumprindo o que Jesus antevia para aquelas pessoas.

2. As pessoas que ouvem Jesus nos dias de hoje devem saber que ainda nos resta um tempo de paz, a porta da graça ainda está aberta, mas os quatro anjos logo soltarão os ventos (Apocalipse 7:1); Jesus logo sairá do santuário celestial e o caos desencadeará, precisamos estar preparados quando Jesus vier nos buscar para nos livrar desse caos, nos colocando em um lugar protegido e seguro. As pessoas precisam saber que se estão vivas diante de tantas mortes é porque a morte das outras pessoas deve levá-las ao arrependimento! 

CONCLUSÃO:


1. As tragédias e catástrofes, doenças e mortes à nossa volta, devem nos fazer enxergar nossa limitação, fraqueza e incapacidade diante das adversidades; e, então, reconhecer que somos pecadores carentes de um Salvador.

2. As tragédias e catástrofes, doenças e mortes ao nosso redor, devem nos motivar a colocar nossa vida em harmonia com a vontade divina revelada na Bíblia, arrepender dos pecados e buscar o perdão pelas nossas transgressões.

3. As tragédias e catástrofes, doenças e mortes constantes que chegam até nós pelos divulgadores de informações trágicas ou pelos noticiários, deveriam nos conscientizar que o caminho mais certo a seguir antes do julgamento é o genuíno arrependimento. 

APELO:


1. Você já se entristeceu pelos teus pecados hoje? Já se arrependeu de tê-los cometido?

2. Você reconhece tua tendência pecaminosa? Já confessou teus pecados a Deus hoje?

3. Você sabia que pode agora mesmo receber o perdão indo ao trono de graça do Deus salvador. 

Pr. Heber Toth Armí


domingo, 23 de agosto de 2020

TRATADO TEOLÓGICO SOBRE A RESSURREIÇÃO

 

INTRODUÇÃO: Texto bíblico: I Coríntios 15:1-58


1. A ressurreição é um aspecto fundamental das doutrinas cristãs; sem ela, um efeito dominó leva a um desvio da verdade em relação a outras doutrinas bíblicas.

2. A ressurreição é um assunto de extrema importância que recebe um capítulo inteiro, o qual é extenso, nos escritos de Paulo: I Coríntios 15

3. A ressurreição tratada em I Coríntios 15 é um tratado teológico sobre a ressurreição dos mortos justos no Novo Testamento.

 

I. PRIMEIRA DISCERTAÇÃO DE PAULO: A RESSURREIÇÃO CERTAMENTE ACONTECERÁ – I Coríntios 15:1-19

 

1. Jesus morreu e ressuscitou pelos pecados da humanidade, pagando o preço de seu resgate, oferecendo a possibilidade de vida eterna aos condenados pecadores (vs. 1-3).

2. Jesus morreu e ressuscitou, tais fatos foram testemunhados e comprovados com exatidão; do contrário, toda a motivação para a pregação do cristianismo seria ilusória e o conteúdo seria falso. Paulo argumenta em favor da verdade dos fatos (vs. 3-11):

a) Jesus existiu de fato, foi crucificado de fato, foi enterrado de fato e ressuscitou de fato.

b) Jesus apareceu a muitos, inclusive a Paulo, após ter ressurgido vitoriosamente dentre os mortos com um corpo glorioso.

c) Jesus cumpriu as Escrituras ao morrer, ser sepultado e ressuscitar; se a ressurreição não existe, a morte e ressurreição de Cristo foi uma fraude, e as Escrituras são falsas, anulando toda base da religião verdadeira.

3. Jesus morreu e ressuscitou para que a fé na ressurreição dos mortos seja real e verdadeira; Jesus é a garantia de que o impossível ato da ressurreição se tornasse possível aos pecadores que morreram crendo nEle (vs. 12-19).

 

II. SEGUNDA DISCERTAÇÃO DE PAULO: A RESSURREIÇÃO OCORRERÁ NA SEGUNDA VINDA DE CRISTO – I Coríntios 15:20-34

 

1. A certeza da ressurreição de Cristo garante a ressurreição dos justos na vinda de Cristo novamente a este mundo; pois, será tão certa a ressurreição futura dos mortos fieis quanto aconteceu a ressurreição de Cristo.

a) A ressurreição não acontece na hora da morte.

b) A ressurreição é a esperança do cristão, não a morte.

c) A ressurreição acontecerá em um momento específico: Na segunda vinda de Cristo.

2. A ressurreição de Cristo é as primícias, a qual é a representação e garantia da futura ressurreição dos cristãos mortos; tal certeza é uma motivação para cumprir a missão de evangelizar à humanidade mesmo correndo riscos de perder a vida.

3. A ressurreição de Cristo coloca um basta no Império da Morte inaugurado por Adão; isso garante o fim definitivo da ação do mal na vida do crente, o qual se dará quando os santos ressurgirem corporalmente na ressurreição dos justos, na segunda vinda de Cristo.

 

III. TERCEIRA DISCERTAÇÃO DE PAULO: A RESSURREIÇÃO TRARÁ A PESSOA COM SEU PRÓPRIO CORPO – I Coríntios 15:35-58

 

1. Os mortos justos que ressurgirem no dia do retorno de Cristo se erguerão vivos, com o próprio corpo e a própria personalidade; a pessoa ressuscitada terá seu corpo renovado, restaurado, o qual será glorioso e poderoso, real e literal, mesmo sendo espiritual.

2. Os mortos em Cristo que ressurgirem para a vida plena e eterna terão o mesmo corpo, porém transformado; o corpo será o mesmo original, porém, terá algumas alterações: Pois,

a) Semeia-se corpo na corrupção, ressuscita corpo na incorrupção.

b) Semeia-se corpo em desonra, ressuscita corpo em glória.

c) Semeia-se corpo em fraqueza, ressuscita corpo em poder.

d) Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual.

3. Os mortos serão recompensados com a transformação e a transladação para a vida eterna na segunda vinda de Cristo. Nesse dia, a alegria não poderá ser contida! Primeiro, pela vitória sobre a morte; em seguida, pelo privilégio de ver e estar com Cristo; e, terceiro, pela certeza do reencontro, podendo matar a saudade daqueles que tinham sido ceifados pela morte. 

CONCLUSÃO: As citações abaixo alinhavam nossa compreensão do tema da ressurreição. Preste atenção!


1. “A ressurreição de Cristo era um símbolo da final ressurreição de todos quantos nEle dormem. O semblante do Salvador ressurreto, Sua maneira, Sua linguagem, tudo era familiar aos Seus discípulos. Como Jesus ressurgiu dos mortos, assim hão de ressuscitar os que nEle dormem. Reconheceremos nossos amigos, da mesma maneira que os discípulos [reconheceram] a Jesus. Talvez hajam sido deformados, doentes, desfigurados nesta vida mortal [mas serão vistos] ressurgindo em plena saúde e formosura; no entanto, em corpo glorificado, será perfeitamente mantida a identidade (1Co 13:12). No rosto, glorioso da luz que irradia da face de Cristo, reconheceremos os traços daqueles que amamos” (Ellen G. White. O Desejado de Todas as Nações, p. 804).

 

2. “Nossa identidade pessoal é preservada na ressurreição, se bem que não as mesmas partículas de matéria e substância material que foram para a sepultura. As maravilhosas obras de Deus são um mistério para o homem. O espírito, o caráter do homem, volta a Deus para ser preservado. Na ressurreição toda pessoa terá seu próprio caráter. Deus, em Seu devido tempo, despertará os mortos, dando novamente o fôlego de vida e ordenando que os ossos secos vivam. Aparecerá as mesmas formas, mas estará isentas de doenças e de todo defeito. Revive apresentando as mesmas características pessoais, de modo que um amigo reconheça o outro. Não há nenhuma lei de Deus da Natureza que Deus restitui as mesmas e idênticas partículas de matéria de que se compunha o corpo antes da morte. Deus dará aos justos falecidos um corpo que Lhe apraz. Paulo ilustra esse assunto pelo grão de cereal semeado no campo. O grão plantado se decompõe, mas aparece um novo grão. A substância natural da semente que se decompõe jamais é ressuscitada como antes, mas Deus Lhe dá um corpo segundo Lhe apraz. O corpo humano compor-se-á de um material muito mais requintado, pois é uma nova criação, um novo nascimento. ‘Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual’” (Ellen G. White. Meditações Matinais: Maranata, p. 299).

 

3. “Os mesmos corpos que são semeados em corrupção, ressurgirão em incorrupção. Aquilo que é semeado em desonra, ressurgirá em glória; semeado na fraqueza, se levantará em poder; semeado corpo natural, ressurgirá corpo espiritual. Os corpos mortais são vivificados por Seu Espírito que habita em vós [...]. Que manhã gloriosa será a manhã da ressurreição! Que cena maravilhosa se abrirá quando Cristo vier, para se fazer admirado em todos os que creem! Todos os que forem participantes na humilhação e sofrimentos de Cristo serão participantes de Sua glória. Pela ressurreição de Cristo, todo santo crente que adormece em Jesus, sairá, triunfante, de seu cárcere. Os santos ressurgidos proclamarão: ‘Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?’ 1Co 15:55” (Ellen G. White. Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 270-272).

 

APELO:

 

1. Viva a vida crendo confiantemente na certeza da ressurreição, aguardando o reencontro daqueles que morreram em Cristo.

2. Viva intensamente a esperança da ressurreição provida pelo evangelho.

3. Viva proclamando a verdade da ressurreição àqueles que desconhecem o poder de Cristo sobre a morte.

Pr. Heber Toth Armí


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

AMOR E ÓDIO NO MESMO DEUS: COMO ASSIM?

 

INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Malaquias 1:2-3

Antes de entrar propriamente na mensagem do texto, reflita nestes itens:

 

1.   Deus existe e é real: Essa verdade deve ficar clara antes de adentrar no significado do texto. Há ateus declarados, acreditam e defendem que Deus não existe; há, também, ateus práticos, os quais, embora afirmem e defendam a existência do Deus da Bíblia, vivem como Se Ele não existisse. Tanto este como aquele precisa admitir com sinceridade a existência de um Criador, para então assimilar as ideias dos versos supracitados.

2.  Deus tem graus de tolerância: Provérbios 6:16-19 revela que existem seis coisas que Deus odeia (arrogância, mentira, assassinos de inocentes, maldade, impiedade, falsidade) e uma que Ele considera pior que as seis (quem provoca brigas e discórdias entre irmãos).

3.  Deus tem sentimentos: Em I João 4:8 diz que Deus é amor. Esse Deus revela Seus sentimentos ao povo de Israel em Malaquias 1:2-3, na NTLH diz assim: “Esaú e Jacó eram irmãos, no entanto, eu tenho amado a Jacó e os seus descendentes, mas tenho odiado a Esaú e seus descendentes”.

 

I. DEUS TENTA PROVAR SEU AMOR FALANDO DE ÓDIO – Malaquias 1:2-3

 

Pelo menos é isso que observamos no texto em análise! Leia bem, com atenção! Como Deus pode provar Seu amor falando de ódio? Pior, Ele está tentando deixar claro para Israel que Seu amor por eles é tão real quanto os defeitos e falhas de caráter que eles possuíam (veja todo o livro de Malaquias). Para provar Seu amor incondicional por Israel, Deus apelou para Seu desprezo e ódio para com Esaú.

1. É preciso analisar os detalhes para entender os sentimentos de Deus: Observe o contexto do texto! Nesse relato, Edom é uma nação, tanto quanto Israel também o é. De Edom surgiram os edomitas; o qual, outrora chamava-se Esaú, mas, após vender sua primogenitura por um prato de lentilhas avermelhadas, passou a chamar-se Edom, que significa avermelhado.

2. É preciso observar o contexto mais amplo para tentar entender os sentimentos de Deus: Começando por Edom, os passos dos edomitas sintetizados são os seguintes:

a) Rejeição das coisas espirituais: Ao dar mais importância aos seus interesses momentâneos, Esaú rejeitou privilégios espirituais oriundos da primogenitura. Em seguida, o relato revela seu casamento bígamo com mulheres heteias, evidenciando as desgraças que sobrevém quando pecadores rejeitam a graça divina (Gênesis 26:34-35; 36:1-2).

b) Recusa da prática do bem para seus irmãos: Chegando à reta final de sua jornada, o povo de Israel pediu gentilmente permissão para atravessar rumo à Canaã pelas terras edomitas. Apesar da intenção pacífica de Israel, Edom respondeu negativamente, além de sair armados para impedir qualquer tentativa de passagem – obrigando assim os israelitas a darem enorme volta em sua jornada (Números 2:14-21; Deuteronômio 2:8).

c) Renúncia do amor verdadeiro em qualquer de suas formas: Além de outras coisas que suscitaram o ódio de Deus pelos edomitas, a gota d`água parece ter sido a completa falta de amor nas atitudes edomitas. Quando o povo de Israel era levado à Babilônia para a disciplina aplicada por Deus, os edomitas se alegraram com a sorte deprimente de seus irmãos (Salmo 137:7). Além disso, saquearam Jerusalém junto com os caldeus, olharam com prazer para a desgraça do próximo, pararam nas encruzilhadas para matar quem intentasse fugir ou os entregavam aos babilônicos para serem mortos ao fio da espada (Oseias 10-14).


    3. É preciso notar que o texto não direciona o ódio de Deus a um indivíduo específico nem está atrelado a apenas um ato isolado: A humanidade é dotada de moralidade, consequentemente, a perversidade e imoralidade exigem justiça da parte do Soberano do Universo. Desta forma, Edom merecia a execução do juízo divino por tamanha violência executada contra seu irmão Israel. O que está implícito nisso?


a) A rebelião constante contra os seres humanos suscita ira e ódio a Deus, assim como um pai amoroso se enfurece contra quem vive torturando seu filho.

b) A rejeição da bondade, compaixão e misericórdia equivale à rejeição do próprio Deus, cujo trono tem o amor como fundamento.

c) A punição mais intensa aplicada por Deus a quem merece é permitir que a pessoa sofra as devidas consequências oriundas da própria perversão praticada.


II. DEUS REVELA SEU AMOR E ÓDIO NA EXECUÇÃO DO PLANO DA SALVAÇÃO – Malaquias 1:2-3


    1. Deus odeia pecados, não pecadores: Em Apocalipse 2:6, 15-16 Jesus diz que odeia as obras dos nicolaítas, não os nicolaítas; evidenciando que Deus odeia o mal, o pecado, as heresias, mas não os pecadores.

    2. Deus odeia as obras dos pecadores, mas ama aos pecadores: O texto de Malaquias onde Deus tenta provar Seu amor por Israel demonstrando ódio para com Esaú apresenta essa ideia. Os israelitas eram pecadores, cheios de falhas e infiéis como pode ser visto no decorrer de toda sua história. Além disso, na referência aos nicolaítas, é possível concluir que Deus odeia a maldade, mas ama intensa e incondicionalmente à humanidade. As obras de Edom para com o povo de onde nasceria o salvador do mundo, revelam rejeição aberta ao plano de salvação no qual está incluso o amor e ódio simultâneo de Deus.

     3. Deus prova Seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores: É exatamente isso que Romanos 5:6-9 nos diz. “Quando estávamos completamente desamparados, Cristo veio na hora certa e morreu por nós, pecadores. É pouco provável que alguém morresse por um justo, embora alguém talvez se dispusesse a morrer por uma pessoa boa. Mas Deus nos prova Seu grande amor ao enviar Cristo para morrer por nós quando ainda éramos pecadores. E, uma vez que fomos declarados justos por Seu sangue, certamente seremos salvos da ira de Deus por meio dele” (Nova Almeida Atualizada).


CONCLUSÃO:


1. Da mesma forma que Deus intentava mostrar amor ao Israel pecador no passado, Ele tenta provar Seu amor pelos pecadores de hoje: Outrora, Ele provou Seu amor odiando aos inimigos e opressores de Seu povo; agora, Ele prova Seu amor por nós, ao ter dado Seu amado Filho para morrer em lugar dos injustos e transgressores de Sua Lei.

2. Da mesma forma que em Deus encontramos amor e ódio, Seus seguidores também devem possuir esse perfil: Ódio pelas obras erradas e perversas dos pecadores como se nota na carta de João à igreja de Éfeso; mas, por outro lado, deve-se demonstrar amor pelos pecadores (Apocalipse 2:4, 6).

3. Da mesma forma que Malaquias 1:2 e 3 e Apocalipse 2:4 e 6 unem amor e ódio, a cruz também revela esses dois sentimentos de certa forma antagônicos: Na cruz de Cristo fica nitidamente evidente o ódio de Deus pelo pecado; e também, com a mesma intensidade, nota-se a maior prova de amor pelos pecadores, os quais mereciam a sentença da morte que Jesus experimentava.

APELO:


1. Experimente o infinito amor de Deus e de Cristo por você.

2. Reconheça que o amor de Deus é tão grande quanto Seu ódio para com o pecado.

3. Reflita o caráter de Deus odiando o pecado, mas amando ao pecador!


Pr. Heber Toth Armí


domingo, 28 de junho de 2020

UMA BÊNÇÃO EM FORMA DE MALDIÇÃO


INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Gênesis 3:14-15

1. Essa promessa profética não é um mero tipo de tranquilizante, ela assinala o futuro quando o pecado e o diabo não mais existirão.

2. Essa promessa profética é tão oportuna nos dias atuais quanto fora relevante para nossos primeiros pais no Jardim do Éden.

3. Essa promessa profética revela que Deus sempre esteve no controle da história e já possuía um plano elaborado caso o pecado entrasse no mundo. 

I. A PRIMEIRA BÊNÇÃO DIVINA APÓS O PECADO HUMANO VEIO EM FORMA DE JUÍZO E MALDIÇÃO – Gênesis 3:14

1. Deus abençoou a humanidade amaldiçoando a serpente: A serpente, outrora mais sagaz que todos os animais (Gênesis 3:1), se torna o mais desprezível de todos os animais. Observando a serpente agora, temos evidência da entrada do pecado e da promessa de Deus à humanidade.

2. Deus abençoou aos pecadores amaldiçoando ao autor do pecado: A serpente e o ser atuante por meio dela, foram amaldiçoados; evidenciando ao casal culpado e a nós hoje que Deus intencionava salvar os pecadores.

3. Deus abençoou aos transgressores da Lei ao lançar juízo sobre Satanás: A sentença do Juiz do Universo sobre o autor principal do pecado gerou uma oportunidade de restauração do problema causado pelo pecado.

II. O PRIMEIRO ANÚNCIO DE UM SALVADOR PARA O PECADOR VEIO EM FORMA DE MALDIÇÃO – Gênesis 3:14-15

1. O primeiro a pregar o evangelho no mundo foi Deus: Deus não indagou à serpente como fizera ao casal, Ele apenas a sentenciou; nessa sentença foi apresentado o plano de um descendente da mulher (Jesus) que esmagaria a cabeça da serpente (Satanás).

2. O primeiro evangelista a falar da vinda do Salvador foi Deus: Até então, nem Adão nem Eva sabiam dos planos divinos de enviar um Libertador. Deus foi o primeiro a dar essa boa notícia numa sentença passada diretamente ao Diabo.

3. O primeiro sermão referente ao plano da salvação foi realizado por Deus destinado ao diabo, tendo a Adão e Eva por testemunhas: Deus comunicou boas novas de salvação. Ele apresentou o Libertador dos transgressores; Deus é o primeiro missionário/evangelista da história. 

III. A PRIMEIRA PROFECIA BÍBLIA QUE PROMOVEU ESPERANÇA FOI UMA SENTENÇA DE MORTE PARA SATANÁS – Gênesis 3:15

1. A profecia surge com Deus em um momento tenso no Jardim do Éden: Adão e Eva viviam sua mais terrível preocupação e seu mais extenuante desespero quando Deus proveu uma saída para a situação que eles se envolveram. Deus é um Pai por excelência!

2. A profecia que é a progenitora de todas as outras profecias foi uma sentença de morte para Satanás: Graças a essa profecia foram possíveis outras profecias. Sem essa, as outras não teriam sentido. Além disso, a razão da existência da profecia é Cristo; em outras palavras, a profecia em que o intérprete não enxergar Cristo é porque se perdeu em sua interpretação.

3. A primeira profecia é uma promessa de um remédio para o perigoso vírus do pecado: O problema endêmico do pecado tem fim garantido. Está profetizado que essa pandemia destruidora será destruída para nunca mais existir. Veja a sequência:

a) Tudo começou no Céu, com uma guerra, onde Lúcifer com a terça parte dos anjos, intentaram conquistar o trono do Deus (Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:13-19).

b) Derrotado no Céu, Lúcifer convertido em Satanás, desceu à Terra, onde tenteou Adão e Eva no Jardim do Éden; contudo, veio Deus e lavrou a sentença de morte para a serpente (Gênesis 3:1, 14-15; Apocalipse 12:9, 12).

c) Cerca de 4000 anos depois, quando Jesus veio ao mundo nascer como ser humano, Satanás usou toda sua força para tentar destruí-lO. Desde o nascimento de Jesus até Sua morte, Satanás não deu sossego. Porém Jesus, obtendo a vitória sobre a morte, sobre o pecado e sobre as tentações, destronou a Satanás e destruiu seu poder (Hebreus 2:14; Mateus 28:18) lançando sobre a cabeça do inimigo um golpe fatal; agora é só questão de tempo para ter a cabeça totalmente esmagada (Romanos 16:20).

d) Após subir ao Céu, entrar no Santuário Celestial, permanecer no Lugar Santo até 1844 e então passar para o Lugar Santíssimo, e completar ali Sua obra, Jesus descerá à Terra pela segunda vez para buscar para Si os que aceitaram Seu sacrifício na cruz, tirando os crentes das influências do mal (I Tessalonicenses 4:13-17; João 14:1-3).

e) Com a presença dos salvos no Céu, inicia o período do milênio, no qual analisarão cada caso; paralelamente, Satanás e seus anjos ficarão confinados à Terra sem ninguém a quem tentar (os ímpios estarão mortos desde a segunda vinda por não suportarem a presença de Cristo). No final dos mil anos, acontece o juízo final, onde os ímpios ressuscitam para receber a mesma sentença de Satanás e seus anjos: Morte eterna (Mateus 25:41; Judas 6; Apocalipse 20:7-9).

f) Com isso, a profecia de Gênesis 3:15 chega ao seu fim. O mal foi plenamente derrotado (cabeça esmagada) e Cristo sai completamente vencedor (calcanhar ferido). Não mais existirá jamais a presença do mal em nenhum lugar do Universo.

CONCLUSÃO:

1. O evangelho é uma mensagem profética iniciada pelo próprio Deus, que deu Seu Filho para entrar em nossa história caótica, lutar terrivelmente com o Diabo, onde seria ferido até à morte de cruz, mas ressuscitaria; Sua vitória está ilustrada na ferida no calcanhar do descendente da mulher.
2. O evangelho é um apocalipse, em que Deus revela ao mundo as boas novas de que o problema do pecado terá fim. A pandemia do mal, que se alastrou em todo canto de nosso planeta e arruinou completamente nossa vida, terá fim.
3. O evangelho é uma bênção, nos enche de esperança, porém surgiu em um contexto de total desespero, em que Deus lidava com o casal transgressor, mas antes proclamou a maldição, a qual foi uma sentença de morte sobre Satanás, o autor do pecado. 

APELO:

1. Assimile a abrangência dessa profecia em tua vida a fim de que vivas com a esperança e a certeza de que o sofrimento, a dor e o mal não existirão para sempre.
2. Aguarde o cumprimento dessa profecia para que, ao observar a vitória de Cristo sobre o mal, você também participe dessa vitória e vivas com Ele por toda a eternidade.

Pr. Heber Toth Armí

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