segunda-feira, 31 de julho de 2017

PREFÁCIO DA LEI: UMA VISÃO DA GRAÇA!


INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Êxodo 20:1-2

1. Sem a graça não existiria lei, porque a lei é fruto da graça. “A lei é, desde sua origem, firmemente assentada num contexto de graça”, declarou R. Alan Cole.
2. Sem a graça, a lei não teria razão de existir, pois não teria nenhuma utilidade que nos beneficiasse. A Lei não era requisito de salvação. “Deus já havia restaurado Israel à justa relação com Ele, mediante a graça”. Agora, “o Senhor desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo Seu povo e a ter uma relação íntima com Ele” (Paul Hoff).
3. Sem a graça a lei não seria bênção, mas uma desgraça; assim como sem a libertação divina fica impossível qualquer obediência. “A obediência aos mandamentos se baseia na experiência de libertação efetuada por Deus, em Sua graça, a qual os primeiros 19 capítulos de Êxodo explicam” (Comentário da Bíblia Andrews).

I. ANTES DE PROCLAMAR SUA LEI, DEUS SE EXPRESSA PODEROSAMENTE, MAS TAMBÉM, GRACIOSAMENTE, PERANTE SEU POVO – Êxodo 20:1

Como poderia um Deus justo e santo relacionar-Se com um povo imundo, por estar tão contaminado com inúmeros pecados? O prefácio escrito por Moisés (“Então, falou Deus todas estas palavras”) ensina-nos importantes verdades:

1. Deus Se aproxima e fala aos seres humanos. O povo - não apenas Moisés - escutou as palavras de Deus (Êxodo 20:18-20).

2. Deus Se revela e revela Sua vontade aos pecadores desprovidos de dignidade. Escravos, sem mérito algum, os judiados e humilhados israelitas, agora livres, tiveram o privilégio de ouvir diretamente a Deus e conhecer Sua vontade por Ele mesmo.

3. Deus, não Moisés, revela graciosamente Sua Lei diretamente aos Seus súditos. Em Êxodo 20:1, Moisés apenas informa que foi Deus Quem falou todas aquelas palavras de Êxodo 20:2-17.

a) Os Dez Mandamentos não surgem da influência de literaturas ou legisladores pagãos, são frutos da graça reveladora de Deus.
b) Os Dez Mandamentos não surgem com Moisés querendo reinar ou impor sua formação cultural egípcia a um povo desnorteado; surgem do coração amoroso do Rei dos reis.
c) Os Dez Mandamentos não são cópias ou réplicas de leis humanas; antes de serem escritos, foram proferidos audivelmente a todo Israel pelo próprio Soberano do Universo, revelando nobres propósitos para Seus súditos.

II. ANTES DE PROCLAMAR SUA LEI, DEUS SE APRESENTA E REVELA SEUS ATOS GRACIOSOS AOS INDIGNOS ISRAELITAS – Êxodo 20:2

Como poderia um Ser tão poderoso e majestoso interessar-se por escravos tão indignos como os israelitas? As próprias palavras de Deus, ouvida pelo povo em pé no monte Sinai, registradas por Moisés (“Eu sou o Senhor, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”), revelam sublimes verdades:

1. O primeiro trecho, “Eu sou o Senhor”, é um preâmbulo em que o próprio Legislador se apresenta.
2. O segundo trecho, “que te tirei da terra do Egito”, é um prólogo histórico que indica um ato passado que resultou da infinita graça divina.
3. O terceiro trecho, “da casa da servidão”, relembra e explica a condição indigna em que os ouvintes de Deus se encontravam antes da libertação realizada por Ele.

a) Deus não exige nada antes de libertar o pecador. A libertação antecede às exigências divinas.
b) Deus não impõe requisitos para salvar ninguém, Ele salva e só depois apresenta a responsabilidade. Liberdade sempre implica em responsabilidades.
c) Deus não dá mandamentos para impor autoridade, mas porque Sua bondade anseia o melhor para a humanidade criada por Ele à Sua imagem e semelhança.

CONCLUSÃO:

1. O mesmo Deus que Se apresenta como Redentor do povo, se revela como o Legislador.
2. A mesma graça que motiva Deus a redimir escravos, O motiva a entregar uma Lei para reger a vida de Seus súditos.
3. Os mesmos atos de bondade e graça manifestos na libertação estão presentes na proclamação da Lei dos Dez Mandamentos.

a) A todos nós, que estávamos condenados à morte, escravos do mundo, da carne e do diabo e, desprovidos de mérito algum, Deus misericordiosamente nos amou, nos libertou e nos deu vida juntamente com Cristo (Efésios 2:1-5).
b) A todos nós, que, sendo escravos do pecado, não éramos povo, Deus nos salvou (libertou) para que pudéssemos ser um povo, uma nação santa, com leis santas para orientar nossa vida (João 8:34-36; II Pedro 2:9).
c) A todos nós, Deus revelou Sua graça através dos atos de libertação e da proclamação de Sua Lei. A Lei é fruto da graça tanto quanto nossa salvação. Deus nos quer livres da desgraça da desobediência, da escravidão do pecado, e das garras do diabo.

APELO:

1. Aceite a graça da libertação e seja livre da condenação resultante do pecado.
2. Aceite a graça da Lei que graciosamente o Legislador proclamou para orientar nossa liberdade.
3. Aceite a graça de Deus em todas as suas formas então serás verdadeiramente um súdito livre, feliz e nobre.
Pr. Heber Toth Armí

segunda-feira, 24 de julho de 2017

PARTIR E ESTAR COM CRISTO: O MAIOR ANSEIO DO CRISTÃO


INTRODUÇÃO: Texto Bíblico Principal: Filipenses 1:20-26

1. Cristãos dedicados não são blindados para não sofrer. O grande missionário e apóstolo Paulo sabia muito bem isso por experiência própria. Quando escreveu aos filipenses ele estava preso, e já tinha passado por inúmeras situações deprimentes (ver II Coríntios 11:23-28; Filipenses 4:12).

2. Cristãos missionários são determinados a despeito das oposições, obstáculos e problemas que encontram ao executar a obra de Deus (Filipenses 1:12-19).

3. Cristãos estudiosos e espirituais conhecem a Palavra de Deus e a realidade do mundo em que testemunham de Cristo, sabendo que podem se tornar mártires a qualquer momento.

a) Paulo não era ignorante a respeito da morte, ele expõe criteriosamente o assunto visando orientar os crentes preocupados em Tessalônica alegando que ninguém vai para o Céu ao morrer, mas na segunda vinda de Cristo (I Tessalonicenses 4:13-18).

b) Paulo, sendo novo aguardava a segunda vinda de Cristo ainda em seu tempo; pensou que iria ao céu sem passar pela morte. Em I Coríntios 15:51 e 52 ele fala da ressurreição dos mortos, e da transformação dos vivos – incluindo-se entre os vivos.

c) Conhecendo o que as Escrituras dizem sobre a morte (Jó 7:9-11; Salmo 115:17; Eclesiastes 9:5, 10; Daniel 12:2, etc.) Paulo, prevendo seu martírio, em II Coríntios 4:14 incluiu-se entre os ressuscitados. Em Filipenses ele está novamente preso e ameaçado de morte, é nesta circunstância que ele faz uma poderosa reflexão. 

I. ENGRANDECER CRISTO NA VIDA OU NA MORTE CARACTERIZA QUEM ENTENDEU O QUE VERDADEIRAMENTE SIGNIFICA SER TESTEMUNHA DELE – Filipenses 1:20

Paulo era uma pessoa convicta. Ele sabia o que queria. Não titubeava frente às ameaças de morte nem era prolixo quando escrevia. Sua determinação cristã tornava firme e clara as suas declarações.

1. Nenhuma circunstância adversa deve confundir ou levar o cristão a titubear diante da missão de proclamar a Cristo. 

2. Nenhuma força externa (perseguição, ameaça, prisão, etc.) ou interna (medo, preocupação ou dúvida) deve sufocar a coragem de exaltar a Cristo em todo e qualquer lugar em que o cristão se encontrar.

3. Quem se rendeu completamente a Cristo desejará revelar seu compromisso fiel com Ele tanto na vida quanto na morte – isso é ser testemunha genuína de Cristo!

II. DESEJAR ESTAR COM CRISTO É MUITO MELHOR DO QUE VIVER OU MORRER AQUI NESTE MUNDO DE MALDADES, INJUSTIÇAS E SOFRIMENTOS – Filipenses 1:21-23 

Paulo expõe os anseios mais profundos de sua alma. Na cadeia, prevendo sua sentença de morte, ele abre o coração e revela suas mais íntimas emoções e ensina-nos preciosas lições.

1. O viver é Cristo: Tudo na vida de Paulo era Cristo. Seu foco era Cristo. Sua mensagem era Cristo. Seu objetivo e todo seu empenho era engrandecer a Cristo em seu corpo, seja na vida e, se necessário, na morte. 

2. O morrer é lucro: Morrer não é sinônimo de viver; ao contrário, é um contraste. São duas situações extremamente opostas. O morrer é lucro para Paulo porque o martírio promove a fé dos cristãos, e desperta a fé nos pagãos.

3. Melhor mesmo é partir e estar com Cristo: Paulo não disse que queria morrer para estar com Cristo. Na época de Paulo, “partir” não era sinônimo de “morrer”; significava desatar o navio, levantar a âncora e içar as velas, ou desarmar as barracas e levantar acampamento. Então, o que Paulo quis dizer?

a) Melhor do que viver neste mundo de maldades, injustiças e sofrimentos é estar com Cristo no Céu.

b) Melhor do que morrer como mártir é partir para o céu a fim de desfrutar da augusta presença de Cristo.

c) Melhor do que qualquer coisa é estar pessoalmente com Cristo no Céu sem passar pela terrível agonia da morte, ou melhor, do martírio.

III. INFLUENCIAR POSITIVAMENTE À IGREJA DE CRISTO É O INTERESSE DE TODO DISCÍPULO FIEL – Filipenses 1:24-26

Paulo almejava sair da cadeia para estar entre os cristãos de Filipos. Suas expectativas não eram egoístas, mas o benefício dos outros. Ser discípulo significa discipular outros para que cresçam em Cristo. 

1. Quem entende realmente que a morte é a cessação da vida, das atividades, de tudo, certamente vai querer viver mais – jamais morrer. Paulo disse que...

a) É mais necessário estar vivo para a igreja do que morto.
b) Desejava sair da cadeia/prisão para permanecer com a igreja objetivando o desenvolvimento dos membros na alegria da fé.
c) Sua presença entre os cristãos de Filipos traria satisfação ao coração deles.

2. Quem tem Cristo como foco, o alvo da vida neste mundo, deseja permanecer vivo para continuar empenhado no avanço do reino de Deus levando mais e mais pessoas à salvação.

3. Quem sabe o que biblicamente significa a morte, desejará viver para influenciar ainda mais a igreja de Cristo a fim de ajudar os cristãos no desenvolvimento da fé que resulta em alegria (Filipenses 2:14-18).

CONCLUSÃO:

1. O discípulo vive para testemunhar de Cristo em sua vida, mas ao correr risco de morte por causa de seu testemunho, se dispõe a proclamar Cristo com sua morte. O cristão anseia engrandecer a Cristo em seu corpo, mesmo que se torne cadáver.
2. O discípulo bíblico tem Cristo como sua razão de existir. A morte não é existir, é deixar de existir, é parar de falar de Cristo; implica quebra dos laços de amizade, fim do trabalho, interrupção da obra na igreja. Perseguido, preso e ameaçado muitas vezes, os servos de Cristo anseiam partir deste mundo para estar com Ele no céu sem passar pela agonia da morte.
3. O discípulo de Cristo não quer morrer. Seu anseio maior é estar na presença de Cristo. Mas, até a segunda vinda de Cristo ou até morrer, desejará viver para trabalhar pela igreja Cristo.

APELO:

1. Quer vivamos ou morramos, testemunhemos de Cristo.
2. Quer vivamos ou morramos tenhamos o propósito de sempre engrandecer a Cristo aos convertidos e não convertidos.
3. Quer vivamos ou morramos que nosso maior anseio seja partir para estar com Cristo.
Pr. Heber Toth Armí

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