quinta-feira, 23 de setembro de 2021

NUTRIENTES ESPIRITUAIS PARA DIAS DE PROVAÇÕES

INTRODUÇÃO: Texto bíblico: I Pedro 1:3-9 

1. “A estrada da aflição é a estrada para o Céu, mas há poços de água fresca ao longo do caminho” (Charles Spurgeon).

2. “Aprender o que Deus quer nos ensinar no meio da dificuldade é mais importante do que sair dela” (Hudson Taylor).

3. “Deus não conduz jamais Seus filhos de maneira diferente da que eles escolheriam se pudesse ver o fim desde o princípio, e discernir a glória do propósito que estão realizando como Seus colaboradores” (Ellen G. White).

4. Em meio às diversas provações deste mundo, precisamos nutrirmo-nos bem para que não sejamos destruídos, mas transformados em genuínos cristãos preparados para o Céu. Pedro oferece aos sofredores cristãos os seguintes nutrientes: Esperança, herança e confiança. Analise cada um deles:

I. ESPERANÇA – I Pedro 1:6, 3

O imperativo para exultar (v. 6) baseia-se na esperança provida por Deus através da ressurreição de Cristo (v. 3):

1. A esperança nasce para quem ergue os olhos para glorificar e bendizer ao Deus que é Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! 

2. A esperança resulta da grande misericórdia de Deus, que nos regenerou para uma esperança viva.

3. A esperança é viva com base na regeneração operada por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.

II. HERANÇA – I Pedro 1:6, 4

O imperativo para exultar (v. 6), baseia-se também em outro motivo revelado pelo apóstolo Pedro, uma herança celestial (v. 4):

1. A herança preparada por Deus aos que perseveram firmes na caminhada cristã jamais poderá perecer porque ela está guardada no Céu.

2. A herança guardada no Céu jamais poderá enferrujar, desbotar ou macular-se com injustiça, imoralidade ou perversidade.

3. A herança celestial, guardada no Céu para os cristãos fervorosos, jamais poderá perder o seu valor.

III. CONFIANÇA – I Pedro 1:5-9

O imperativo para exultar (v. 6) possui ainda mais uma razão para nos mover rumo à alegria, a proteção de Deus durante a jornada rumo ao Céu (v. 5).

1. A fé é o meio de confiar nossa vida nas mãos poderosas dAquele que guarda nossa herança; pois, assim como Ele guarda a herança também nos guarda em nossa perseverança (v. 5).

2. A fé é o meio de desenvolver o caráter em meio às duras provações da vida que nos assolam e nos entristecem; contudo, o resultado da confiança em Deus apesar dos pesares é a transformação do caráter, o qual resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado (v. 7).

3. A fé é o meio de crer, confiar e amar a Deus sem poder vê-lO e nem tocá-lO; com tal confiança é possível exultar com alegria indizível e gloriosa (v. 8).

a) Os cristãos persistentes são protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo (v. 5).

b) Os cristãos perseverantes podem até ser entristecidos por todo tipo de provação, mas sabem que elas durarão apenas um pouco de tempo (v. 6).

c) Os cristãos fieis atravessam as dificuldades cientes de que serão moldados a fim de que com a fé se torne mais valiosa que o ouro que perece, resultando em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado (v. 7).

d) Os cristãos inabaláveis avançam firmes em meio às duras provações da vida sabendo que estão alcançando o alvo da fé deles: A plenitude da salvação que se dará quando Jesus for revelado em Sua segunda vinda (v. 9).

CONCLUSÃO:

1. O martírio, perseguição, oposição, humilhação e hostilidade podem diminuir por pouco tempo a alegria do cristão, mas não podem arrebatar a esperança que inunda seu coração diante da breve revelação de Jesus em Sua segunda vinda.

2. O sofrimento, provação, angústia e lamento neste mundo que tem inúmeros motivos para nos entristecer podem ser amenizados quando fortalecemos nossa vida com os três nutrientes espirituais apresentados no texto em análise: Esperança, herança e confiança.

3. Os momentos desafiadores neste mundo mal estão com os dias contados, pois em breve desfrutaremos de tudo o que implica a plenitude da palavra salvação; para isso precisamos viver intensamente a esperança, aguardar perseverantemente nossa herança celestial e confiar piamente no cuidado de Deus.

APELO:

1. Espere avivando diariamente a esperança em meio aos desafios deste mundo.

2. Aguarde ansiosamente pela herança preparada para você lá no Céu.

3. Confie no cuidado de Deus por você durante a jornada rumo ao alvo: A plenitude da salvação.

Pr. Heber Toth Armí


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A MORTE DA MORTE – Olhando o presente com foco na esperança da ressurreição

 

O coronavírus trouxe à nossa consciência a fragilidade da vida. Assim, o medo, a angústia, a preocupação e a insegurança rapidamente tomaram conta de todas as classes sociais e povos do mundo. Felizmente, Cristo trouxe a certeza da vida eterna. Sua morte e ressurreição oferecem a oportunidade de salvação a ricos e pobres de todas as etnias. A doutrina da ressurreição é essencial na proclamação da verdade trazida e vivida pelo Salvador. Ela foi fortemente proclamada pelos primeiros líderes do cristianismo após a ascensão de Jesus ao Céu.

Em meio ao drama que envolve todas as áreas da vida, como política, economia e até a religião, precisamos urgentemente reavivar nossa crença na doutrina da ressurreição. Afinal, a proclamação do evangelho no período apostólico fundamentava-se no Cristo ressurreto, cujo sacrifício visa garantir a ressurreição dos cristãos mortos. Eis aí um dos aspectos que caracterizavam a pregação como boas-novas (evangelho).

CRENÇA NOTÁVEL

Nem todas as crenças cristãs ganharam um capítulo inteiro na Bíblia, mas a enfática doutrina da ressurreição ganhou um dos trechos mais longos do Novo Testamento. 1 Coríntios 15, com seus 58 versículos, nos convida a atentar para esse assunto tão oportuno, quando a imprensa e as mídias sociais destacam, inevitavelmente, tantas mortes, neste que é o pior momento da pandemia em nosso país.

O apóstolo Paulo não tinha dúvida sobre a ressurreição de Cristo. A garantia de “um amanhã da ressurreição” está na certeza de que Cristo morreu e ressuscitou, criando assim uma possibilidade maravilhosa à humanidade caída em pecado. Não haveria “manhã gloriosa” nem segunda vinda de Cristo sem que Ele ressuscitasse; os cristãos teriam perdido seu tempo, teriam vivido por nada e morrido em vão. Porém, como Cristo ressuscitou, se negarmos a ressurreição, estaremos negando o próprio Cristo, o evangelho e a Bíblia. Por outro lado, se cremos na ressurreição de Jesus, não apenas creremos na ressurreição dos cristãos que faleceram, mas teremos o privilégio de revê-los, abraçá-los e desfrutar para sempre da companhia deles!

Diante dos argumentos de Paulo, podemos alegar que, quanto maior for nossa confiança na soteriologia, maior será nossa esperança na escatologia. Embora a lei de Deus nos revele o pecado, e este nos conduz à morte, o Cordeiro de Deus (Jo 1:29), que tira o pecado do mundo por meio de Sua morte, nos concede a vitória sobre a morte. Assim, no presente, ainda que seja real nos despedirmos dos mortos, a saudade durará pouco tempo. Na segunda vinda de Cristo, teremos de volta nossos queridos que morreram crendo em Jesus e, na companhia deles, nos despediremos da morte.

Embora a cultura greco-romana desafiasse e ainda continue desafiando a esperança na ressurreição, a revelação bíblica permanece para ser estudada, apreendida e proclamada como um bálsamo refrescante a todo coração carente de uma esperança concreta diante da dor da saudade provocada pela ausência da vida.

Ao analisarmos o que o Espírito Santo inspirou Paulo a escrever aos crentes de Corinto, percebemos que a morte não é a porta para o Céu, nem a antessala do paraíso. Na verdade, ela não é positiva, pois é inimiga (1Co 15:26). Por mais que as crenças erradas estejam em toda parte, no íntimo cada um de nós sabe que a morte não é bem-vinda. Ela é o salário do pecado, o oposto da vida (Rm 6:23).

MOTIVAÇÃO E FOCOS CERTOS

Assim, em primeiro lugar, a motivação e o foco do cristão não devem ser a morte e o seu reinado, mas a ressurreição da morte para a vida. Na ressurreição de Cristo encontramos encorajamento para agir incansavelmente em favor da proclamação do evangelho (1Co 15:1-11).

Em segundo lugar, a motivação e o foco do cristão não estão nas dúvidas sobre a morte e a ressurreição, mas na certeza da revelação divina acerca da ressurreição. Incerteza quando à ressurreição põe em dúvida o ministério evangelístico, ameaça a fé cristã e enfraquece a esperança no futuro. Por outro lado, a crença correta na revelação de Deus quanto ao futuro reaviva nossa fé e nossa esperança no Cristo ressurreto (1Co 15:12-19).

Em terceiro lugar, a motivação e o foco do cristão não estão nas crenças populares a respeito da morte, mas na vitória do Cristo que ressurgiu para garantir a ressurreição dos que confiam seu futuro a Ele. Note que, desde o início do capítulo, Cristo é a referência do apóstolo, cuja ênfase cresce no decorrer das exposições de seus sofisticados e criativos argumentos em favor da certeza da ressurreição. Ele deixa, assim, um poderoso e inspirado legado escriturístico, no qual mostra que a teologia da vitória de Cristo sobre a morte garante um futuro brilhante a toda pessoa dependente dEle (1Co 15:20-28).

Possuir tais informações bem articuladas sobre a ressurreição prevista para o segundo advento de Cristo (v. 23) muda nossa maneira de ver o futuro. Os ressuscitados não terão corpo frágil, desonroso e corruptível; ao contrário, ao “ressoar a última trombeta” (v. 52), o corpo dos ressuscitados será espiritual, glorioso, poderoso e incorruptível (v. 29-57).

Por isso, somos encorajados a (1) deixar de lado a filosofia humanista, imediatista e pessimista do “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (v. 32); (2) fugir das más conversações que corrompem os bons costumes, oriunda dos hereges e dos que deturpam a verdadeira doutrina bíblica da ressurreição (v. 33); (3) tornar-nos sóbrios, equilibrados e concentrados como realmente deve ser o cristão, a fim de não cair em tentação, e então submergir no mar das ilusões das ideias e conceitos pervertidos que visam solapar a nossa fé e esperança de um futuro glorioso (v. 34); (4) ser firmes e inabaláveis diante das diversas crises e adversidades que a vida neste mundo carcomido pelo pecado nos prega, tentando minar nossa motivação na continuidade e intensidade da missão (v. 58); e (5) ter ciência de que trabalhar incansavelmente para o Senhor será benéfico a cada crente fiel (v. 58).

RESTAURAÇÃO COMPLETA

Além da alegria da ressurreição, temos informações no texto que nos mostram como os ressurretos estarão novamente entre nós, os vivos. Após destacar que os cristãos ressuscitados terão corpos, o texto apresenta a transformação pela qual o corpo precisa passar para poder entrar no ambiente sagrado do Céu (v. 35-53).

Ellen White amplia nossa compreensão da revelação apresentada pelo apóstolo Paulo: “Nossa identidade pessoal é preservada na ressurreição, se bem que não as mesmas partículas de matéria e substância material que foram para a sepultura. As maravilhosas obras de Deus são um mistério para o homem. O espírito, o caráter do homem, volta a Deus para ser preservado. Na ressurreição cada pessoa terá seu próprio caráter” (Maranata, p. 299).

Portanto, essa transformação esplendorosa não nos impedirá de identificar nossos queridos. Nesse dia espetacular, “mataremos a saudade” daqueles que estavam separados pela morte. Reconheceremos nossos amados. Abraçaremos nossos queridos novamente. Pelo fato de Cristo ter ressuscitado com corpo em Sua primeira vinda, Ele terá condições de chamar os mortos à vida, com corpos glorificados, em Sua segunda vinda.

Em face de um mundo em desespero, o povo de Deus deve levar a esperança. Não qualquer esperança, mas a revelada na Bíblia e com base na vitória de Cristo. Inspirados nessa realidade, um dia poderemos gritar: “Tragada foi a morte pela vitória” (v. 54). Nesse dia se dará a morte da morte. Aleluia!

Aguardamos com grande expectativa esse grandioso momento com o coração tomado pela maravilhosa promessa da ressurreição, que resultará em reencontro com os cristãos que foram ceifados pela morte. Além de viver essa esperança, vamos compartilhá-la com nosso próximo. Em Cristo, cuja ressurreição é um símbolo e uma garantia da ressurreição final, temos um futuro seguro. 

Pr. Heber Toth Armí.

Artigo publicado na Revista Adventista de abril de 2021.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

ENCORAJAMENTO DIVINO PARA O SOFRIMENTO HUMANO

INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: I Pedro 1:3-9 

1. Pedro escreveu a cristãos que sofreram perseguições devido à fé, que sofriam pela dispersão ocasionada pela perseguição nas províncias romanas e teriam de enfrentar desafios ainda maiores.

2. Pedro usa a verdadeira teologia bíblica para orientar os crentes que sofrem, sua abordagem está em sentido oposta à teologia da prosperidade e outras teologias modernas popularmente divulgadas em nossa sociedade.

3. Pedro fala abertamente sobre o sofrimento, dificuldades cristãs e hostilidades adversas; e, através dos problemas, procura fortalecer a fé, orientar e animar aos cristãos sofredores.

I. ENCORAJAMENTO PELAS LEMBRANÇAS DO PASSADO – I Pedro 1:3

A carta de Pedro é “o meio de reanimar o ânimo e fortalecer a fé daqueles que estavam sofrendo provas e aflições, e de renovar as boas obras dos que, assediados por tentações de toda ordem, estavam em perigo de perder seu apego a Deus” (Ellen G. White). Para isso, ele mostra que o primeiro passo é ativar a memória de fatos históricos.

1. Lembrar de que o bendito Deus vivo nos ofereceu Sua grande misericórdia nos ajuda a enfrentar as desafiadoras dificuldades da vida.

2. Lembrar que Deus nos regenerou graciosa e miraculosamente, nos deu nova vida, nos fez nova criatura, fortalece-nos quando tudo a nossa volta tenta nos desfalecer.

3. Lembrar da ressurreição de Cristo dentre os mortos aviva a certeza do crente neste mundo de incertezas, lutas e sérias dificuldades:

a) Jesus destronou a morte e pode ressuscitar aqueles que perdem a vida por causa da fé.

b) Jesus venceu os mais fortes inimigos do ser humano, para lhes conceder a vitória.

c) Jesus abriu o caminho para uma viva esperança da qual cada crente pode se beneficiar ao enfrentar cada adversidade na jornada rumo ao Lar Celestial.

II. ENCORAJAMENTO PELAS EXPECTATIVAS DO FUTURO – I Pedro 1:4-5

Pedro sabia que na “esperança de uma herança segura na Terra renovada rejubilavam-se os primeiros cristãos, mesmo em tempos de severa prova e aflição”, diz Ellen G. White. Por isso usou desse recurso para orientar e fortalecer a fé dos cristãos que sofrem por causa de Cristo.

1. Conhecer o que Deus tem reservado aos fieis, fortalece a fé diante das adversidades (v. 4):

a) Uma herança que jamais poderá perecer, cuja duração é eterna.

b) Uma herança perfeita que jamais poderá macular-se, deteriorar-se.

c) Uma herança valiosíssima que nunca será desvalorizada. 

2. Saber que Deus guarda o que está reservado nos enche o coração de convicção, expectativa, segurança e determinação em permanecer firme em meio às dificuldades.

3. Ter ciência do que espera no final da jornada da salvação nos fará olhar com desprezo para as riquezas e prazeres efêmeros e insignificantes oferecidos por esse mundo que vai de mal a pior (vs. 4-5).

a) A herança está guardada no Céu para os crentes de todas as épocas, não há risco de perdê-la; portanto, está garantida.

b) Os herdeiros no mundo são protegidos pelo poder de Deus assim como é protegida a herança celestial.

c) O momento especial para usufruir dos privilégios da herança é quando a salvação for completada na revelação do último tempo, no segundo advento de Cristo.

III. ENCORAJAMENTO PELA REALIDADE DO PRESENTE – I Pedro 1:6-9

Pedro revela que viver a viva esperança “torna possível para o cristão exultar-se espiritualmente em meio às duras provas, na certeza de que Deus terá a última palavra no grande conflito” (Comentário Bíblico Adventista).

1. O crente verdadeiro deve saber que sua jornada neste mundo não é isenta de inúmeros perigos, contudo, pode contar com o cuidado de Deus; tal cuidado inspira alegria ao aflito coração do cristão (v. 6, ver também v. 5).

2. O crente fiel deve saber que ainda que tenha de enfrentar todo tipo de provação, elas estão com os dias contados: O sofrimento dura pouco tempo (v. 6).

3. O crente determinado em Seu compromisso com Cristo deve saber que Deus tem um propósito com o sofrimento na vida do cristão:

a) Deus sabe o que é e o que não é necessário para provar a fé a fim de purificá-la de tudo o que não provém de fé (v. 6).

b) Deus sabe que a fé provada no fogo da aflição será purificada e sairá muito mais valiosa que o mais puro ouro refinado (v. 8).

c) Deus sabe que a experiência da fé purificada, fortalecida e genuína resultará em louvor, glória e honra quando Jesus for revelado no último tempo (v. 7):

1) O amor do cristão a Cristo é pela fé, por ainda não tê-lO visto (v. 8).

2) A confiança do crente em Cristo é pela fé, pois não o podem ver agora (v. 8).

3) A exultação do cristão em meio à provação pelos privilégios do passado, do presente e do futuro cria uma alegria indescritível e gloriosa; pois, a cada dia vivido pela genuína fé nos conduz ao alvo da fé: A plenitude da salvação (v. 9).

CONCLUSÃO:

1. Precisamos exercitar nossa memória para olhar ao passado, quando Deus, em Sua grande misericórdia, deu Jesus, que, mesmo sendo justo pagou com Sua morte nossa culpa e ressuscitou para nos regenerar (transformar) e nos garantir uma herança eterna, livre de todas as consequências corrosivas e destrutivas do pecado.

2. Precisamos observar as provações da vida pelas lentes da revelação de Cristo nas páginas da Bíblia, elas são necessárias para propósitos importantes em nossa experiência a fim de tornar nossa fé mais firme e genuína; nesse processo, Deus está no controle e cuidando de cada detalhe a fim de que o cristão não perca sua herança.

3. Precisamos viver neste mundo sombrio na expectativa da glória celestial. Isso nos enche da mais pura esperança e da mais ousada confiança, promovendo a mais robusta perseverança. Deus tem uma herança guardada para os salvos, e guardam os salvos para essa herança, garantindo que nossa expectativa será alcançada.

APELO:

1. Deixe-se encorajar pela lembrança resultante da morte e ressurreição de Cristo.

2. Deixe-se encorajar pela fé no cuidado de Deus, que te conduzirá até a tua herança.

3. Deixe-se encorajar pela certeza do cumprimento das promessas de Deus em tua vida.

Pr. Heber Toth Armí


terça-feira, 31 de agosto de 2021

AÇÃO DA TRINDADE NA REDENÇÃO DA HUMANIDADE

INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: I Pedro 1:1-2

“Estes versículos não só identificam as três pessoas da Trindade, como também revelam o ponto focal de cada uma no plano da redenção” (comentário Bíblia Andrews).

1. Quando a igreja está espalhada e humilhada pelo mundo, precisa saber que é escolhida por Deus como os eleitos de Deus da dispersão na Ásia Menor (v. 1).

2. Quando a igreja é perseguida pelo mundo, precisa saber que é separada pelo Espírito Santo. Como os cristãos sofredores pela cruel ação de familiares e do Imperador Nero, os cristãos hostilizados de hoje precisam que a graça de Deus lhes sejam multiplicadas (v. 2).

3. A uma igreja que carece de orientação teológica, precisa saber qual é sua razão de existir. Diante das incertezas e ameaças da vida, que assolam aos crentes, com expectativa sombria quanto ao futuro, a igreja precisa permanecer fiel Àquele que foi fiel até à morte de cruz para nos salvar da morte eterna (vs. 1-2).

I. OS CRISTÃOS SOFREDORES SÃO ACOLHIDOS PELO DEUS QUE ESCOLHE COM SABEDORIA – I Pedro 1:1-2

1. Os eleitos de Deus são pecadores que elegeram a Jesus como Salvador e Senhor de sua vida. Deus é Pai de Seu Filho Jesus Cristo e de cada pecador que tornou-se cristão de todo seu coração.  Diz Ellen G. White que eleita ou escolhida “é toda alma que opera a sua própria salvação com temor e tremor. É eleito aquele que cingir a armadura, e combater o bom combate da fé. É eleito que vigiar e orar, quem examinar as Escrituras, e fugir da tentação. Eleito é aquele que continuamente tiver fé, e que for obediente a toda a palavra que sai da boca de Deus. As providências tomadas para a redenção, são franqueadas a todos; os resultados da redenção serão desfrutados por aqueles que satisfizeram as condições” (Ellen White).

2. Os eleitos de Deus são aqueles que, percebendo que a graça divina foi estendida a todos os pecadores, a aceitaram e abraçaram em seu coração para a salvação. Estes pecadores regenerados, embora forasteiros e peregrinos espalhados em meio a uma sociedade depravada e corrompida pelo pecado, são acolhidos por Deus.

3. Os eleitos devem saber que sua existência baseia-se na presciência de Deus Pai: É importante saber que, “após uma prévia consulta ao Filho e ao Espírito Santo, o Pai onisciente elaborou um plano para redimir a família humana”, desta forma, “a predestinação de Deus se baseia na Sua presciência ou conhecimento antecipado das decisões humanas (Romanos 8:29)” (George E. Rice).

II. OS CRISTÃOS SÃO ESCOLHIDOS PELA OBRA SANTIFICADORA DO ESPÍRITO SANTO – I Pedro 1:2

1. Os eleitos não são pessoas santificadas pelas próprias obras, mas pelas obras do Espírito Santo em cada aspecto de sua vida.

2. Os eleitos não são parte de um grupo escolhido ao léu pelos seres oniscientes do Céu, são pecadores que permitiram ser santificados pelo poder do Espírito Santo. “O Espírito Santo é Aquele que age, e a santificação ou santidade é uma dádiva do Espírito Santo, e não um característico obtido por um simples esforço humano (ver I Coríntios 6:11; II Tessalonicenses 2:13). Ao permitir que o Espírito realize essa obra em sua vida, a pessoa é habilitada a fazer parte dos eleitos” (George E. Rice).

3. Os eleitos são alvos do Espírito Santo durante a jornada nesta vida a fim de auxiliarem na caminhada: É através do Espírito Santo que “o precioso Salvador enviará auxílio exatamente quando dele necessitarmos”. Ele nos ajuda a perceber que “o caminho para o Céu acha-se consagrado pelas pegadas [de Jesus]”. Mostra-nos que “cada espinho que fere nossos pés, feriu os [de Jesus]”; capacita-nos a perceber que “a cruz que somos chamados a carregar, [Jesus] a levou antes de nós”. Pela capacitação do Espírito, entendemos que Jesus “permite que venham os conflitos, a fim de prepararem a alma para a paz” em meio ao desenvolvimento do grande conflito (Ellen G. White, GC, p. 637-638).

III. OS CRISTÃOS SÃO ESCOLHIDOS PARA A OBEDIÊNCIA A JESUS E A ASPERÇÃO DO SEU SANGUE – I Pedro 1:2 

1. Para obediência a Jesus Cristo: Jesus é chamado de Senhor no versículo 3. Isso revela não apenas Sua dignidade, mas que o cristão devota a Ele sua lealdade. A resposta à obra do Espírito Santo “é descrita como obediência a Jesus Cristo, ou seja, obediência ao evangelho que leva a pessoa a arrepender dos pecados e a aceitar a Cristo como Salvador. No Novo Testamento, o evangelho é apresentado em várias ocasiões como algo a obedecer (cf. Romanos 2:8; 2Tm 1:8)” diz William MacDonald. Contudo, tal compromisso é mantido pela ação direta do Espírito Santo. Os eleitos “têm prazer em fazer a vontade de Deus, e são capacitados pelo Espírito Santo a cumprir o desígnio do Senhor: a obediência a Ele (ver João 14:15; I João 5:2-5) [...]. Em virtude da morte do Filho de Deus, o Espírito Santo passa a habitar na vida dos que creem e lhe dá santidade (I Pedro 1:2)” (George E. Rice).

2. Para a aspersão do sangue de Jesus: Com essa expressão inspirada pelo Espírito Santo, o apóstolo “Pedro trata da aplicação do mérito do sangue de Cristo ao indivíduo. A aspersão do sangue de Jesus traz a paz da justificação” (Comentário Bíblico Adventista).

CONCLUSÃO:

1. As três pessoas da Divindade Se envolvem completamente no processo de salvação da humanidade. Após devidamente convertido, Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, aborda a importância do Deus Triúno operar na conversão do pecador e auxiliá-lo no desenvolvimento do cristianismo enquanto vive como peregrino em direção à Pátria Celestial.

2. As três pessoas da Divindade são apresentadas por Pedro em Sua função no processo de salvação da humanidade, não em grau de importância; pois Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo possuem a mesma essência e estão todos no mesmo nível. Observe as funções:

a) Deus Pai conhece de antemão e escolhe o pecador;

b) O Espírito Santo efetua a escolha e limpa continuamente aos escolhidos de seus pecados;

c) Jesus Cristo sacrificou-Se até derramar Seu sangue e experimentar a morte a fim de redimir e adquirir aos escolhidos.

3. As três pessoas da divindade trabalham em harmonia (em conjunto), não independente. Deus Pai conhece de antemão aos pecadores que serão salvos, o Deus Espírito Santo os santifica aplicando o resultado do sacrifício de Jesus a fim de limpar os pecados através da aspersão do sangue do Deus Filho, Jesus Cristo, no coração do cristão.

APELO:

1. Seja solícito ao trabalho da Trindade em teu coração corrompido pelo pecado.

2. Seja paciente à obra redentora, transformadora e santificadora da Trindade ao agir em tua vida.

3. Seja feliz e agradecido pela maravilhosa atuação divina em tua miserável vida.

Pr. Heber Toth Armí

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

PERSEVERANÇA EM MEIO AO SOFRIMENTO

INTRODUÇÃO: Texto bíblico: Uma visão geral de I Pedro 1:1-5:14

1. Pedro escreveu essa carta com o coração amadurecido no amor despertado por seu Salvador no mar de Tiberíades (João 21:1, 15-19; 1 Pedro 1:8). Sua carta demonstra intimidade com Cristo após Ele ter ascendido aos Céus.

a) Pedro escreveu entre o início da perseguição de Nero (em outubro de 64) e seu martírio nessa perseguição (na primavera de 65); provavelmente essa carta foi escrita no final do outono de 64 d.C.

b) Essa carta de Pedro faz parte das epístolas católicas (do grego), ou cartas gerais (latim) à igreja cristã.

c) Em julho de 64 Roma ardia em fogo. Em outubro desse mesmo ano, Nero, o imperador romano:

1) Jogou a culpa do incêndio de Roma sobre os cristãos.

2) Declarou o cristianismo ser religião separada da religião legal, o judaísmo.

3) Declarou o cristianismo ser ilegal.

4) Começou a perseguição de cristãos, de Roma até as províncias periféricas romanas, incluindo a Ásia Menor das igrejas citadas na carta (I Pedro 1:1).

2. Pedro escreveu a carta a cristãos que corriam risco de perder a fé. Aceitar o cristianismo fez com que os fieis rompessem os vínculos com parentes e vizinhos pagãos. Esse era um dos motivos do sofrimento que ameaçava solapar a fé dos cristãos.

3. Pedro escreveu a quem cria falsas expectativas do evangelho, que crê que tornar-se cristão o blindará contra o sofrimento. Naquela época, os cristãos foram:

a) Acusados de promoverem rebelião (3:13-17).

b) Acusados de serem antissociais (4:4).

c) Assombrados com uma perspectiva de perseguição ainda pior no futuro (4:12).

d) Maltratados e caluniados simplesmente por serem cristãos (4:14-16).

I. DEUS CONSIDERA NOSSAS NECESSIDADES REAFIRMANDO-NOS NO EVANGELHO:

1. O Pai, o Filho e o Espírito Santo trabalham unidos visando oferecer-nos nova vida (1:3-5; 4:1-6):

a) A antiga vida foi plenamente perdoada por Deus (2:24; 3:18).

b) A vida presente é protegida e motivada por Deus (1:5; 4:1-2).

c) A vida futura é assegurada por Deus (1:4).

2. O agir da Trindade em nós promove um estilo de vida que deve ser cultivado:

a) Na vida prática, além da teoria (1:13-16).

b) Na vida relacional, no dia a dia, principalmente no casamento (2:16; 3:1, 7).

3. O resultado da ação da Trindade nos cristãos os tornam seguidores de Jesus para:

a) Viver no mundo real do aqui e agora em contraste com a vida imoral (4:1-4).

b) Viver no mundo vindouro preparado para os fieis (5:10).

II. DEUS CONSIDERA O SOFRIMENTO COMO PARTE DE NOSSA JORNADA CRISTÃ:

1. O sofrimento na vida cristã tem algumas finalidades importantes:

a) Prova a seriedade de nosso discipulado (1:7).

b) Promove nossa união e identificação com nossos irmãos em Cristo (5:9).

c) Promete a reivindicação no dia do juízo (4:16-19).

2. O sofrimento do cristão nos ensina que:

a) Ainda que possamos ser expatriados e espalhados pelo mundo (1:1; 5:9) somos parte do povo peregrino de Deus (2:5, 9).

b) Ainda que estejamos neste mundo de sofrimento, estamos avançando rumo ao Lar Celestial na casa do Pai Divino (1:3-4).

3. O sofrimento, corretamente entendido, nos faz:

a) Avançar com fé durante a jornada nesta vida (1:17).

b) Testemunhar de nossa fé prática aos incrédulos (2:12).

c) Desejar o fim do sofrimento no grande dia em que receberemos a imperecível coroa da glória (5:4).

CONCLUSÃO:

O sofrimento terá fim. Perseverança é a garantia de nossa herança cristã. Pedro escreveu como quem prevê o grande discorrer do véu nos últimos dias, e usa a raiz grega apocalyp (revelação) para descrever a segunda vinda de Cristo. Desse modo, ele relembra seus leitores que:

1. O Cristo invisível nunca está longe; por isso, aqueles que compartilham dos Seus sofrimentos, terão o privilégio de receber da Sua glória quando Ele Se revelar.

a) Na segunda vinda de Cristo, a salvação do cristão será finalmente completada (1:7; 5:10).

b) Na segunda vinda de Cristo, os salvos entrarão em sua herança completa (1:4-5).

c) Naquele grande dia, com a fé plenamente honrada os cristãos perceberão mais claramente a extensão da graça de Deus (1:13).

d) Naquele grande dia, a glória de Cristo será compartilhada e todo serviço a Ele será recompensado (5:1, 4).

2. A expectativa da segunda vinda de Cristo é um argumento poderoso para a vida consagrada a Deus e para a cuidadosa mordomia de cada dia em que vivemos aguardando a nossa recompensa (4:7-11). A esperança cristã promove perseverança na caminhada em meio às dificuldades rumo à herança futura prometida aos fieis.

3. A esperança em meio ao sofrimento promove a perseverança. Diz Ellen White que “nesta esperança de uma herança segura na Terra renovada rejubilavam-se os primeiros cristãos, mesmo em tempos de severa prova e aflição”, sim, esse foi o propósito da carta, pois “as palavras do apóstolo foram escritas com o objetivo de instruir os crentes de todas as épocas, e têm significado especial para os que vivem no tempo em que ‘já está próximo o fim de todas as coisas’. Suas exortações e advertências, bem como suas palavras de fé e ânimo, são de necessidade para todos os que desejam conservar sua fé ‘firmemente’ ‘até ao fim’. Heb 3:14” (AA, p. 518).

APELO:

1. Leia com atenção cada frase da primeira carta de Pedro, permitindo que Deus fale bondosamente ao teu coração.

2. Assimile a tua vida cada ensinamento precioso desta carta, ainda que enfrente os desafios do sofrimento.

3. Permita que a expectativa de uma herança celestial molde tua vida no presente.

Pr. Heber Toth Armí

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