O PREÇO DA FIDELIDADE E A GLÓRIA DA RECOMPENSA

INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Apocalipse 2:8-11

1. Esmirna representa a segunda fase da história da Igreja Cristã (110-313 a.C.), um período marcado por intensas perseguições.

2. Diferentemente das outras igrejas, Esmirna não recebe nenhuma repreensão de Cristo, apenas encorajamento e promessa de recompensa.

3. Através da mensagem de Cristo a Esmirna, aprendemos a perseverar na fé e confiar nas preciosas promessas divinas.

I. JESUS CONHECE NOSSO SOFRIMENTO – Apocalipse 2:8-9

1. Jesus, o Primeiro e o Último, assegura à Igreja que Ele conhece suas dificuldades e sua pobreza material.

a) Como o Primeiro e o Último Jesus tem a palavra final; desta forma, a Sua Igreja não está à mercê do Império Romano ou dos poderes humanos.

b) Como o Primeiro e o Último, Cristo é soberano sobre o passado, o presente e o futuro; Ele é eterno, e Sua autoridade é inquestionável.

c) Como o Primeiro e o Último, nosso Salvador revela estar no controle da história mundial e de Sua amada igreja – ainda que não pareça!

2. Jesus, que morreu e tornou a viver, afirma estar ciente da dor, das lutas e das tribulações de Seus seguidores.

a) Jesus experimentou o sofrimento, aflição e morte; contudo, Ele superou tudo ao ressuscitar para nos garantir Suas promessas e a vitória final.

b) Jesus conhece a dor dos cristãos perseguidos porque Ele experimentou a pior das dores neste mundo cruel.

c) Jesus sabe quem são os inimigos de Seu povo e, além de os identificar, os classifica: Judeus incrédulos e blasfemos que entregavam os cristãos às autoridades romanas; identificados por sinagogas de Satanás.

3. Jesus, nos conhece melhor do que nós mesmos nos conhecemos: Logo após afirmar conhecer as aflições e pobreza de Sua igreja perseguida devido à fidelidade da fé, Jesus declarou: “Mas você é rico”.

a) Esse paradoxo demonstra que a verdadeira riqueza do povo de Deus não está nos bens materiais, mas na fidelidade e comunhão com Cristo (Mateus 6:19-21).

b) Esse paradoxo revela que a realidade é maior e mais abrangente do que nossos sentidos conseguem perceber.

c) Esse paradoxo mostra que a riqueza da igreja está nas riquezas celestiais e espirituais, não nos vulneráveis e instáveis bens materiais.

II. JESUS EXPLICA O PROPÓSITO DA PROVAÇÃO – Apocalipse 2:10

1. Ciente que a origem do sofrimento dos cristãos fiéis transcendia os judeus blasfemos e o truculento Império Romano, Jesus alertou que o Diabo lançaria alguns na prisão, a fim de prová-los.

a) Esmirna, cujo nome está associado a mirra – resina amarga usada em perfumes e embalsamamento – tipifica a experiência da igreja sob provações intensas. Jesus, que foi esmagado pela morte e tornou a viver, entende que mirra evoca o aroma liberado quando a substância é esmagada, apontando para a experiência dos cristãos que, mesmo diante da morte, exala a fragrância da fé inabalável.

b) Esmirna, a segunda fase da Igreja Cristã, foi esmagada pela perseguição, mas mostrou como exalar um testemunho fragrante da fé inegociável. Como a mirra, que libera sua essência quando triturada/esmagada, os cristãos fiéis perseverantes oferecem a Deus a mais pura expressão de lealdade, servindo de testemunho aos cristãos de todas as gerações.

2. Esmirna deixou um poderoso legado de fidelidade em meio às mais duras adversidades: Os cristãos do contexto de Esmirna viviam em um ambiente hostil, em que a adoração ao Imperador era obrigatória. Recusar oferecer incenso a César era visto como ato de traição, levando muitos à prisão e à morte. Entre os mártires desse tempo, destaca-se Policarpo, bispo de Esmirna, discípulo do apóstolo João, que, ao ser instado a negar sua fé, respondeu: “Por oitenta e seis anos sirvo a Cristo, e Ele nunca me fez mal. Como poderia eu blasfemar contra meu Rei e Salvador?”.

3. A tribulação é limitada pelo poder de atuação divina sob os poderes terrestres: Os cristãos da igreja primitiva experimentaram dez grandes perseguições imperiais, sendo as mais severas aquelas promovidas por Nero, Domiciano e especialmente Diocleciano. A profecia menciona um sofrimento por “dez dias”, que, segundo a interpretação profética dia-ano (Números 14:34; Ezequiel 4:6), refere-se a dez anos de perseguição intensa, culminando com o Edito Milão em 313 d.C.

a) A profecia dos “dez dias” encontra cumprimento nos dez anos de intensa perseguição sob Diocleciano, de 303 a 313, o período mais cruel e sistemático contra os seguidores de Cristo.

b) A profecia dos “dez dias” é um alerta de Cristo; e, muitos cristãos foram lançados na prisão, torturados e mortos por sua fé, mas o Senhor os exortou a não temerem: A dor pode ser intensa, mas Cristo estabelece seus limites.

c) A profecia dos “dez dias” mostra que o diabo, por meio do Império Romano, intentaria erradicar a Igreja Cristã, mas não conseguiu, pois, as sementes do evangelho eram regadas com o sangue dos mártires.

III. JESUS REVELA QUE A FIDELIDADE CONDUZ À VITÓRIA – Apocalipse 2:10-11

1. Cristo não promete livramento físico imediato aos Seus fiéis seguidores, mas Lhes assegura uma maravilhosa recompensa. 

a) A fidelidade até a morte é o padrão que Cristo exige de Seus seguidores, e a promessa de uma “coroa da vida” é símbolo da recompensa eterna que aguarda os fiéis: Vida eterna com Deus.

b) A promessa de não sofrer “a segunda morte” reforça a esperança na recompensa dos santos no único momento em que a imortalidade é concedida: Na segunda vinda de Cristo (I Coríntios 15:51-54). A primeira morte (física/natural, Mateus 10:28) não é o fim, pois Cristo promete livramento da segunda morte (a condenação final do juízo, Apocalipse 20:14-15).

c) Apesar de não ter uma promessa a Esmirna de livramento terreno, há a certeza da recompensa celestial, por isso o apelo aos sofredores para ouvirem o que o “Espírito diz às Igrejas”.

2. A fidelidade em meio à provação é o selo da verdadeira igreja de Cristo: O Diabo intenta fazer que os cristãos deixem de ser fiéis a Deus, mas suas investidas apenas fortalecem àqueles que permanecem firmes na fé. Assim, a fidelidade é a condição para receber a recompensa eterna:

a) A perseguição nunca é em vão – cada provação é um degrau que nos eleva a uma fé mais resistente e forte.

b) Deus não nos permite ser testados para nos destruir, mas para nos purificar como ouro no fogo, moldando-nos para a eternidade.

c) A fé verdadeira não vacila diante da dor e da incerteza – ela permanece sólida até o fim.

d) Em Cristo, a morte não tem a palavra final. Ele nos garante a vitória sobre a condenação eterna.

e) A perseverança em Cristo não apenas nos sustenta durante a tribulação, mas nos conduz à glória da vida eterna.

CONCLUSÃO:

1. A experiência histórica dos cristãos de Esmirna se torna um modelo profético para o cristão remanescente dos últimos dias. As profecias de Apocalipse 13 revela que a igreja remanescente também enfrentará oposição crescente, semelhante à do período de Esmirna, culminando na grande tribulação antes da segunda vinda de Cristo.

2. Assim como Deus sustentou Seu povo na antiguidade, Ele sustentará o remanescente fiel do tempo do fim. Como aqueles cristãos primitivos triunfaram pela fé devido aos alertas, incentivos e orientações de Cristo, a igreja remanescente também será fortalecida para resistir às provações finais, apegando-se à mensagem de Cristo à Igreja de Esmirna.

3. Através da mensagem de Esmirna, aprendemos a perseverar na fé e confiar nas promessas de Cristo quando passamos por provações. A igreja de Esmirna nos ensina que a fidelidade em meio à perseguição produz um testemunho poderoso, um legado maravilhoso para todas as gerações.

APELO:

1. Permaneça fiel, mesmo diante da oposição e da pressão do mundo influenciado por Satanás.

2. Fortaleça tua fé através das alertas, orientações e motivações de Cristo ao passar por privações e provações por causa de tua fidelidade a Ele.

3. Confie na vitória de Cristo, pois Ele sustenta e recompensa àqueles que permanecem firmes até o fim.

Pr. Heber Toth Armí.

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