sexta-feira, 20 de novembro de 2020

INCORRUPTIBILIDADE INSTANTÂNEA

 


Tanto os mortos em Cristo que ressurgirem de suas tumbas, quanto os vivos fieis, experimentarão, na segunda vinda de Cristo, a total libertação da corrupção. Tal ensinamento está claro em I Coríntios 15. Os mortos justos ressuscitam para ir ao Céu apenas na segunda vinda de Cristo (v. 23). Tanto eles, como os que nunca experimentarem a morte, obterão o status de impecáveis somente quando, na segunda vinda de Cristo, “ao ressoar a última trombeta”, receberem graciosamente o milagre da transformação: “A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós [os vivos], seremos transformados” (v. 52).

Para isso, o apóstolo apresenta duas razões:

  1. Até que a segunda vinda, possuiremos carne e sangue impróprios para o Céu, isto é, uma natureza corrompida, corrupta: “Isto afirmo, irmãos, que a carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” (v. 50). Paulo aqui não está lidando com pagãos ou ímpios que rejeitaram o plano da salvação. Ele está lidando com a transformação que os cristãos experimentarão apenas na ressurreição, ou seja, no dia da segunda vinda de Cristo – tal transformação não acontece antes. O apóstolo declara: “Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos” (v. 51). Somente quando ressoar a “última trombeta”, instantaneamente, “num momento, num abrir e fechar de olhos” (v. 52) essa transformação ocorrerá. Portanto, a compreensão de Ellen G. White está correta ao declarar: “Não podemos dizer: ‘Estou sem pecado’ antes que esse vil corpo seja transformado segundo à semelhança do Seu [de Cristo] corpo glorioso [I Coríntios 15:49]” (Para Conhecê-lO, 1965, p. 359). Após sua conversão radical e depois de ter escrito: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:19-20), Paulo está em plena harmonia com I Coríntios 15, também escrito por ele. E também se harmoniza ao afirmar em Romanos 7: “Eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (v. 14) e ao referir-se “ao pecado que habita” nele (v. 17). Paulo é ciente e explica: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, isso faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (vs. 18-21). Essa realidade continuará até a volta de Jesus!
  2. Para adentrar as portas sagradas do santo Céu a fim de estar entre os seres celestiais, “é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da incorruptibilidade” (I Coríntios 15:53). O apóstolo Paulo, em Romanos 7, mostra sua conversão, alegando “ter prazer na lei de Deus” (v. 22), o qual não tem o ímpio. Contudo, ele testifica, “vejo nos meus membros, outra lei guerreando contra a lei da minha mente”, fazendo-o “prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (v. 23). Por isso, lidando com essa luta interna, ele explode: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (v. 24). Ele, então, exclama aliviado: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”. Após estas observações em Romanos 7, retorne para I Coríntios 15. Note que em I Coríntios 15:57 Paulo parece completar a ideia da indagação de Romanos 7. Após dizer que “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus” e declarar ser necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade (I Coríntios 15:50, 53), afirma: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (v. 57). Observe também que, lei, pecado e morte estão presentes tanto em Romanos 7, como também em I Coríntios 15 (especialmente, o versículo 56). A luta que inicia e continua a guerrear após a conversão (Romanos 7:23), por causa de nosso corpo/natureza corruptível, só terá fim “quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade”; e, vinculado a isso, estará livre da corrupção do “aguilhão da morte que é o pecado” (I Coríntios 15:57), “o que é mortal se revest[irá] da imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória” (I Coríntios 15:54). Nesse momento magnífico da segunda vinda de Cristo, os mortos ressuscitados incorruptíveis e os justos transformados, erguerão a sua voz: “Onde está ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (v. 55).

Enfim, mesmo após a conversão, continuamos com um corpo corruptível, com tendências corruptas e até práticas erradas, “porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Romanos 7:15); porém, aguardamos o momento glorioso em que deixaremos de ser pessoas com “corpo terreno”, “natural”, caracterizado pela “corrupção”, “desonra” e “fraqueza” e passaremos a ter “corpo celestial”, “espiritual”, o qual será caracterizado pela “incorrupção”, “glória” e “poder” ( Coríntios 15:42-49) – totalmente livre do “aguilhão da morte [que é] o pecado, e [da] força do pecado [que] é a lei”. Tudo isso, certamente é “graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (vs. 56-57).

Conquanto, entremos na luta, e aguardemos o dia dessa vitória, vivendo o “graças a Deus” de Romanos 7:25, esperando o “graças a Deus” de I Coríntios 15:57. Isso porque, “enquanto Satanás reinar, teremos de subjugar o próprio eu, teremos assaltos a vencer, a não há lugar de parada, nenhum ponto a que possamos chegar e dizer que atingimos completamente” (Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 340). Quando nosso corpo vil for transformado instantaneamente, poderemos declarar: “Estou sem pecado”.

Pr. Heber Toth Armí


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