INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Êxodo 31:1-11
1. Muitos não compreendem o papel do Espírito Santo na capacitação dos crentes para realizar obras que glorificam a Deus. Se devemos glorificar a Deus ao comer, ao beber ou em qualquer outra coisa que fizermos (I Coríntios 10:31), então devemos utilizar nossos talentos para glorificá-lO também.
2. Hoje, em uma sociedade marcada pela pressa e superficialidade, muitos perdem a visão do propósito divino no trabalho. Geralmente, relegamos a importância de nossas habilidades ao cotidiano secular, esquecendo que tudo pode ser feito para a glória de Deus. Considere estes itens do Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia sobre o texto em análise:
a) “Dons de sabedoria, conhecimento e habilidade para o trabalho secular são sem dúvida dados por Deus às pessoas assim como os dons espirituais (1Co 12:8). A igreja necessita tanto de homens como Bezalel e Aoliabe quanto de pessoas como Paulo e Silas”.
b) “Sem dúvida, esses homens foram escolhidos devido ao talento superior e à experiência prévia. A isso Deus prometeu acrescentar sabedoria e conhecimento especiais. Assim, estavam habilitados para a tarefa, tanto de forma natural como sobrenatural”.
c) “Todo artista, seja poeta, pintor, escultor, músico ou desenhista tem dentro de si um talento natural, sem o qual não pode atingir a excelência. Esses talentos devem ser usados para Sua glória e para elevar a humanidade – não para a exaltação própria. Se falhar nisso, a habilidade de alguém pode contribuir para sua depravação moral”.
3. Precisamos considerar o que Deus nos diz a fim de agirmos corretamente em nosso trabalho. A mensagem divina a Moisés sobre o chamado de Bezalel e Aoliabe para a construção do santuário, nos ensina a importância de reconhecer e aplicar o poder do Espírito Santo em nossas atividades diárias a fim de que glorifiquemos a Deus.
I. DEUS CAPACITA PESSOAS COM DONS ESPIRITUAIS FORA DO CÍRCULO MINISTERIAL COMUM – Êxodo 31:1-5
1. A santidade não é exclusiva no púlpito: Bezalel e Aoliabe não eram profetas, sacerdotes ou levitas – eles eram artesãos. E, no entanto, Deus os chamou pelo nome, enchendo-os com Seu Espírito. Não são apenas os pregadores e líderes eclesiásticos que carregam o peso do sagrado. Deus unge mãos calejadas, olhos aguçados e mentes engenhosas, mostrando que a espiritualidade não está confinada ao templo, mas se estende ao trabalho cotidiano.
2. A atuação do Espírito Santo não se restringe ao púlpito: Na lógica divina, um escultor pode ser tão profético quanto um pregador, um arquiteto pode ser tão sacerdotal quanto um levita, e um músico pode carregar tanto a presença de Deus quanto um sumo sacerdote ministrando no templo.
3. Deus capacita pessoas com dons que parecem “seculares” para propósitos espirituais: A obra de Deus não se limita aos pregadores. Designers gráficos, engenheiros, arquitetos ou programadores podem ser tão capacitados pelo Espírito Santo quanto os pregadores no culto. Deus chama a todos, cada um com seus dons, para embelezar Seu Reino e comunicar Sua glória de formas que palavras muitas vezes não conseguem expressar. Isso nos leva a refletir:
a) Quantas pessoas dentro da
igreja carregam um chamado divino, mas são negligenciadas porque a sua vocação
não se encaixa no modelo tradicional de ministério?
b) Como podemos aplicar esse
conhecimento em nossa jornada espiritual?
c) Assim como Bezalel e Aoliabe foram escolhidos para construir o Tabernáculo, Deus está chamando cada um de nós a ser um construtor de Seu Reino. Estamos ouvindo esse chamado?
II. DEUS INVESTE EM TALENTOS DESENVOLVIDOS, CONSIDERANDO-OS TÃO RELEVANTES QUANTO O SERVIÇO MINISTERIAL, QUANDO SERVEM PARA HONRÁ-LO – Êxodo 31:6-11
1. O esforço humano e a excelência técnica têm seu lugar no serviço a Deus: Espiritualidade não se opõe ao aperfeiçoamento humano e ao desenvolvimento técnico, mas os aperfeiçoa. Um pintor ungido sem prática cria rabiscos; um músico sem estudo produz ruídos. Por isso, Deus valoriza a excelência tanto quanto a unção. O sagrado requer esmero (Jeremias 48:10).
2. O dom concedido por Deus não é um atalho à mediocridade: Não é o trabalho malfeito que glorifica a Deus, é a excelência. Bezalel foi cheio do Espírito Santo, mas também era possuidor de destreza, habilidade e plena capacidade – elementos que, muitas vezes, não são enfatizados no meio religioso. Nas comunidades de fé, há uma tendência de espiritualizar a ignorância, como se a capacitação do Espírito Santo anulasse a necessidade de estudo e dedicação. Porém, fica claro em Êxodo 31 que o Espírito não anula a técnica, Ele a aperfeiçoa. A sabedoria celestial se manifesta no aperfeiçoamento da técnica aprendida:
a) Um pregador deve buscar
conhecimento de homilética para melhor proclamar a Palavra de Deus.
b) Um músico deve estudar
teoria musical para melhor adorar a Deus.
c) Um arquiteto deve compreender a estética e a funcionalidade... etc.
3. O verdadeiro cristão não separa espiritualidade e competência técnica: Deus não deseja apenas servos zelosos, mas também mestres e peritos em suas respectivas áreas. Como cristãos, somos chamados a refinar nossos talentos, aprender e crescer. Deus não celebra a ignorância; Ele investe na inteligência, estudo e inovação. A fé e a razão não são rivais, mas aliadas no serviço ao Reino de Deus.
III. DEUS REVELA QUE TALENTOS CONVERTIDOS EM MINISTÉRIOS VOLTADOS A ATRAIR PESSOAS PARA CRISTO SÃO DONS DO ESPÍRITO SANTO – Êxodo 31:1-11
1. Um talento, como a arte, pode ser um poderoso instrumento evangelístico: A arte revela o Criador. O mundo foi criado artisticamente – com cores, formas e músicas (Jó 38:7). Deus é o primeiro e o supremo artista. Ele capacitou artistas, artesões e arquitetos. E ele continua chamando cristãos talentosos – pintores, designers, cineastas, músicos, poetas, dramaturgos etc. – para produzirem obras que podem converter até mais almas que um sermão; são pessoas habilidosas que traduzem a Sua glória de formas que toquem os corações além das palavras dos pregadores.
2. A arte, quanto qualquer atividade bem executada, quando consagrada, torna-se um portal para atrair pessoas a Deus. Muitos consideram evangelismo apenas a pregação verbal, mas Êxodo 31:1-11 mostra que Deus usa outros veículos para alcançar Seus nobres objetivos no mundo. Bezalel e Aoliabe receberam o Espírito Santo para criar algo que levaria o povo a experimentar a presença divina.
a) Hoje, precisamos ser
capacitados para restaurar a beleza da verdade do Santuário Celestial (Hebreus
8:1-2).
b) Hoje, somos o santuário de
Deus e o Espírito Santo habita em nós; devemos usar nossos talentos não para
destruí-lo, mas para atrair pessoas a Cristo (I Coríntios 3:16-17).
c) Hoje, como santuários de Deus, devemos glorificá-Lo em nosso corpo (I Coríntios 6:19-20).
3. Os talentos e dons são fundamentais na promoção e edificação do Reino de Deus: Se quisermos impactar o mundo, precisamos libertar a criatividade que Deus já derramou sobre Seu povo. O Tabernáculo do Antigo Testamento nos ensina que a presença de Deus pode ser revelada por meio de nossas habilidades quando consagradas a Ele e moldadas pelo Espírito Santo – o mesmo continua sendo verdadeiro hoje!
CONCLUSÃO E APELO: No livro “Serviço Cristão”, Ellen White nos instiga:
1. “Se todos quantos
professam crer na verdade houvessem aproveitado bem as aptidões e oportunidades
de aprender e praticar, ter-se-iam tornado fortes em Cristo. Não importa a sua
ocupação – lavradores, mecânicos, professores ou pastores – se se tivessem consagrado
inteiramente a Deus, poderiam haver-se tornado obreiros eficientes do Mestre
celestial” (p. 25).
2. “Não é somente pregando a
verdade, distribuindo literatura, que devemos ser testemunhas de Deus.
Lembremo-nos de que uma vida semelhante à de Cristo é o mais poderoso argumento
que pode ser apresentado em favor do cristianismo, e que o cristão que não é
fiel à sua profissão causa mais dano ao mundo do que um mundano” (p. 26).
3. “Façam os comerciantes seus negócios de maneira a glorificar seu Senhor, mediante sua fidelidade. Que liguem sua religião a tudo quanto fizerem e revelem aos homens o Espírito de Cristo. O mecânico seja um fiel e diligente representante dAquele que lidou nas humildes tarefas da vida, nas cidades da Judeia. Todo aquele que toma em seus lábios o nome de Cristo proceda de tal modo que os homens, vendo suas boas obras, sejam levados a glorificar seu Criador e Redentor” (p. 27).
Pr. Heber Toth Armí.
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