INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Daniel 12:12
1. Em Daniel 12 nos
encontramos no desfecho da quarta e última grande visão de Daniel – iniciada no
capítulo 10:
O cenário é a margem do Rio Tigre. Daniel é um idoso curvado pelos séculos e
pelo peso da história de Israel. A sequência final do capítulo é importante:
a) Daniel 12:1 fala de Miguel Se levantando e do livramento dos inscritos no livro divino.
b) Daniel 12:2-3 anuncia a ressurreição e a glorificação dos sábios.
c) Daniel 12:4 ordena que o livro seja selado “até ao tempo do fim”.
d) Daniel 12:5-6 pergunta: “Quando se cumprirão essas maravilhas?”.
e) Daniel 12:7 apresenta o período de “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (1260 anos) limitando o poder que oporia ao povo de Deus.
f) Daniel 12:8 sem ainda entender, o profeta pergunta: “Meu Senhor, qual será o fim destas coisas?”
g) Daniel 12:9-10 revela que o livro é para o tempo do fim, quando os sábios o entenderão.
h) Daniel 12:11 menciona os 1290 dias/anos.
i) Daniel 12:12 apresenta os 1335 dias/anos acompanhados da única bem-aventurança do livro.
j) Daniel 12:13 encerra o livro com uma promessa pessoal para Daniel.
2. Em Daniel 12:11, há um
período de 1290 dias/anos marcando a supremacia de um sistema religioso que
obscureceu a verdade bíblica sobre o plano da salvação: E, em Daniel 12:12, Deus
adiciona mais 45 dias/anos a este período, prometendo uma bênção especial para
aqueles que perseveram até este marco final.
a) Por que estes 45 dias/anos adicionais?
b) O que representam a “bem-aventurança” prometida?
c) E, como esta profecia se conecta com nossa experiência hoje?
3. Daniel 12:12 é a conclusão de uma série de revelações proféticas que começaram no capítulo 2 e continuaram através das visões do capítulo 7, 8, 9, 11 e 12: Após prever o período de 1290 anos (508-1798) da supremacia papal, Daniel acrescenta mais 45 anos, chegando até 1843. Este período adicional representa o tempo entre o fim do poder temporal papal (1798) e o ano que antecede a passagem de Cristo do Lugar Santo para o Lugar Santíssimo no Santuário Celestial (1844), conforme Daniel 8:14. A “bem-aventurança” prometida está diretamente ligada àqueles que aguardam pacientemente através deste período de transição e recebem a luz da mensagem do juízo (Apocalipse 14:6-7).
I. A IDENTIDADE DO POVO DE DEUS – Daniel 12:12
Está escrito: “Bem-aventurado”. A profecia começa com uma promessa de felicidade, não com pânico por causa da adversidade. Além disso, a única bem-aventurança de Daniel não é dirigida ao espectador curioso, mas ao fiel que atravessa e espera. O versículo não diz bem-aventurado é quem evita a crise. Diz que “bem-aventurado” é quem espera. A bênção não está na ausência do conflito, mas na presença de Deus durante o conflito. Essa perspectiva impede duas distorções:
1. A primeira é o alarmismo
profético:
O sensacionalismo transforma a escatologia em medo permanente. O povo de Deus não
é agitado e impaciente, ao contrário, é paciente porque confia no Deus que conduz
a história. Por isso a felicidade o caracteriza. “Bem-aventurado” é a mesma
expressão das grandes declarações de felicidade encontradas nos Salmos e
posteriormente nas bem-aventuranças de Cristo (Mateus 5:3-12).
2. A segunda é a euforia cronológica: Tal atitude trata o conhecimento das datas como substituto da conversão. Na Bíblia, a profecia inclusive as datas, sempre possui finalidade pastoral: Despertar lealdade, revelar o caráter de Deus e preparar um povo para a volta de Jesus. Isso produz felicidade, alegria e tranquilidade. A mensagem é positiva apesar do contexto negativo. O livro de Daniel tão carregado de impérios, guerras, blasfêmias, perseguição e juízo termina, não com desespero, mas com uma bem-aventurança. Daniel viu Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma e poderes que tentariam usurpar a autoridade de Deus. Viu o chifre pequeno falando palavras contra o Altíssimo, perseguindo os santos e mudando os tempos e a Lei (Daniel 7:25). Viu o Santuário atacado e a verdade lançada por terra (Daniel 8:11-12). Viu um tempo de angústia sem paralelo (Daniel 12:1); contudo, o veredito final sobre os fiéis não é “infelizes”, “abandonados” ou “derrotados”. É: “Bem-aventurados!”.
II. A ESPIRITUALIDADE DA PERSEVERANÇA – Daniel 12:12
Está escrito: “Bem-aventurado o que espera e chega...”. Daniel 12:12 não é meramente uma equação profética, mas um contraponto espiritual de Daniel 12:11 – Depois de anunciar um longo período de apostasia e obscurecimento da verdade, Deus declara “Bem-aventurado o que espera e chega...”. Há uma diferença entre saber que algo vai acontecer e estar disposto a esperar até que aconteça.
1. Deus chama Seu povo a
perseverar:
O último grande conselho prático dado a Daniel antes de sua visão terminar não
é simplesmente uma informação cronológica; é uma exortação à perseverança.
2. A perseverança em meio à
apostasia resulta em bênçãos: É possível conhecer cronologia profética e
abandonar a fé; é possível defender a verdade e perder o espírito da verdade; é
possível explicar o Santuário e o Ministério de Cristo e deixar de viver diante
do Sumo Sacerdote; é possível ensinar sobre a volta de Cristo e não estar
preparado para encontrar-se com Ele. Por isso, bem-aventurado não apenas o que
chega, mas o que espera e chega.
3. No Reino de Deus,
conhecimento é indispensável, mas perseverança é decisiva: Não basta saber, é
preciso viver a essência da verdade bíblica. Saber esperar produz esperança no
presente, molda o caráter e tranquiliza diante das crises e apostasias
generalizadas.
a) Habacuque 2:3 apresente um
princípio relevante: “A visão ainda está para cumprir-se no tempo
determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o,
porque, certamente, virá, não tardará”.
b) Hebreus 10:36-37
complementa mostrando que a profecia não foi dada para alimentar o medo do fim,
mas para formar um povo fiel no fim: “Com efeito, tendes necessidade de
perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque,
ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará”.
c) E Apocalipse 14:12 confirma a pedagogia espiritual da espera: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus”. Nossa fé não é apenas uma fé no evento final, é uma fé no Cristo que trabalha em nós enquanto esperamos.
III. A ESPERANÇA QUE ATRAVESSA O TEMPO – Daniel 12:12
Está escrito: “Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias”. O texto mostra que não basta esperar, é importante chegar. Ele não valoriza apenas o início da jornada, ele celebra quem alcança um ponto determinado. Deus não promete uma caminhada curta; promete que aqueles que permanecerem fiéis chegarão ao destino.
1. O ano 1798 é o período
anunciado pela profecia de Daniel 12:11: Os 1290 dias/anos iniciaram em 508 com o apoio de
Clóvis ao poder papal. Com a prisão do Papa Pio VI encerrou esse período de 1290,
no ano 1798. Nesse tempo, o livro de Daniel estava sendo “aberto”, compreendido
por muitos estudiosos (Daniel 12:4, 10) e, começava o tempo do fim profético.
2. Os 1335 dias/anos
representa um acréscimo de 45 dias/anos em relação aos 1290 dias/anos: Esses 45 dias/anos a mais
na profecia de Daniel 12:12 (1335 dias/anos) em relação a Daniel 12:11 (1290
dias/anos) são significativos. Com o despertar do estudo das profecias, evidenciou-se
ainda mais a grande apostasia que vivia o cristianismo; a busca pela verdade se
intensificou no mundo inteiro; e, reavivamentos espirituais se tornaram normais
nesse período.
3. Os 1335 dias/anos encerraram em 1843: Após essa data, com a decepção resultante da frustração de uma interpretação incorreta sobre o ministério de Cristo no Santuário Celestial, os fiéis perseverantes aprofundaram ainda mais o estudo da Palavra de Deus, e a verdade jogada por terra começou a ser restaurada, o ministério de Cristo e suas implicações foram redescobertas e o evangelho eterno proclamado; assim, a bem-aventurança se realizou na vida daquele que perseverou.
CONCLUSÃO: Duas perguntas precisam ser respondidas:
1. Por que quem chega até
1335 dias/anos é verdadeiramente feliz/bem-aventurado?
a) Quem alcança o marco de 1843/1844 é bem-aventurado porque atingiu o tempo em que o véu da ignorância teológica foi definitivamente rasgado.
b) É bem-aventurado porque não ficou preso na escuridão da Idade Média, nem parado na Restauração incompleta da Reforma do século 16.
c) É bem-aventurado porque recebeu o privilégio de enxergar o Santuário Celestial aberto, de contemplar o Senhor Jesus oficiando como Sumo Sacerdote no Lugar Santíssimo e de compreender o sentido final da história humana através das Três Mensagens Angélicas de Apocalipse 14:6-12.
d) Alcançar o final dos 1335 anos significou ter em mãos a plenitude do Evangelho Eterno “para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo e língua e povo” (Apocalipse 14:6).
2. Quais as implicações dessa
bem-aventurança para nós no século 21? Nós que nascemos pós 1843-1844 somos os herdeiros
diretos desta bem-aventurança profética!
a) Viver no século 21 sob a luz de Daniel 12:12 significa recusar o analfabetismo profético e assumir a nossa identidade como Povo Remanescente de Deus no tempo do fim.
b) Significa que a nossa esperança não se apoia nos acordos políticos deste mundo ou na estabilidade das instituições terrenas, mas no tribunal divino que está em sessão no Céu desde 1844.
c) Significa que nosso estilo de vida, a nossa adoração e o nosso caráter devem refletir o privilégio de viver as claras verdades bíblicas redescobertas após um longo período da apostasia da Igreja Cristã.
APELO: Unamo-nos como:
1. O povo da esperança.
2. O povo da perseverança.
3. O povo que aguarda com alegre certeza o glorioso triunfo de Cristo com Sua igreja.
Pr. Heber Toth Armí.

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