O CONFLITO PELO MINISTÉRIO DE CRISTO

INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Daniel 12:11 

1. Daniel 12 encerra a seção profética do livro: O profeta está junto ao rio Tigre, após receber uma extensa revelação sobre conflitos entre poderes, perseguição, apostasia, libertação e o tempo do fim. Sem compreender tudo o que ouve, ele pergunta: “Quando se cumprirão estas maravilhas?” (Daniel 12:6). A resposta assegura que Deus conhece o curso da história e que a crise da igreja não pegaria a o Céu de surpresa.

2. Daniel 12:11 é um versículo curto, mas contém uma cadeia profética extraordinária: algo é retirado, algo é estabelecido, um período é contado e, por trás de tudo, há uma batalha para pela adoração e mediação. O texto não visa alimentar a curiosidade humana, mas proteger a fé do povo de Deus.

3. O vocabulário de Daniel 12:11 ecoa Daniel 8:11-13 e 11:31: O “contínuo” refere-se ao que é permanente, enquanto a “abominação desoladora” designa uma usurpação religiosa que produz desolação e desloca a centralidade do verdadeiro culto. Na literatura profética, o contínuo é compreendido como o ministério de Cristo no Santuário Celestial, obscurecido na consciência humana por um sistema religioso-político terrestre.

a) Daniel 12:11 revela um conflito histórico e espiritual em torno do verdadeiro ministério de Cristo, denuncia a união ilegítima entre religião e poder civil e chama o povo de Deus a manter os olhos fixos no Santuário Celestial, na Palavra e na esperança profética.

b) O texto nos mostra que quando poderes humanos obscurecem o ministério de Cristo, Deus não abandona Seu povo; Ele revela a história, limita o erro e chama os fiéis a permanecerem vigilantes.

c) Revela também que Deus conhece o tempo de crise, limita a apostasia e desperta Seu povo a focar em Cristo, nosso verdadeiro Sacerdote.

I. DEUS CONHECE O PONTO DE PARTIDA DA CRISE EM SUA IGREJA – Daniel 12:11

Está escrito: “Desde o tempo...”. Aqui, a profecia fornece um marco cronológico em um contexto abrangente.

1. O Deus da Bíblia interpreta o passado e revela o significado dos acontecimentos: A profecia identifica o momento a partir do qual determinadas ações passam a ser contadas.

2. A profecia é integrada: Daniel 7 apresenta o “chifre pequeno” surgindo em Roma, falando contra o Altíssimo, perseguindo os santos e intentando mudar tempos e leis. Daniel 8 descreve o poder que se engrandece contra o Príncipe e lança por terra a verdade do Santuário. Daniel 11 mostra a abominação desoladora. Daniel 12 retoma esse quadro e acrescenta os 1290 dias proféticos.

3. O período deve ser compreendido mediante o princípio dia-ano: Um dia profético representa um ano literal (Números 14:34; Ezequiel 4:6). Então, 1290 dias proféticos correspondem a 1290 anos literais, período em que o plano da redenção seria ofuscado. O marco inicial indica quando a religião busca o Estado para impor seus fins e o Estado busca legitimidade espiritual para ampliar seu poder. O foco do texto é essencialmente espiritual.

II. A CRISE CONSISTE NA SUBSTITUIÇÃO DO MINISTÉRIO DE CRISTO – Daniel 12:11

Está escrito: “Desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado”. A palavra “Tamid” (“contínuo”) indica algo permanente. No contexto de Daniel, relaciona-se ao Santuário e ao ministério sacerdotal.

1. A profecia revela o que a história ocultou: Jesus continua como nosso Sumo Sacerdote no Céu, único Mediador suficiente entre Deus e a humanidade (Hebreus 4:14-16; 7:25: 8:1-2; 9:24; 10:19-22). Daniel 12:11 aponta para uma alteração na percepção da salvação: a obra de Cristo é obscurecida por um sistema terrestre que reivindica Suas funções, títulos e prerrogativas.

2. A humanidade foi induzida a olhar da realidade celestial para a mediação terrestre: A expressão “tirado” não significa interrupção do ministério celestial por poder humano, mas que este foi deslocado da visão pública. Pessoas conduziram pecadores da obra consumada e aplicada por Cristo para cerimônias e pretensões humanas; do Santuário do Céu para as catedrais da Terra.

3. A crise se dá quando o contínuo é eclipsado: A mediação única de Cristo foi ocultada por confessionários, intercessões terrenas e títulos humanos como “Vicarius Fillii Dei”, desviando o foco do trono da graça do Céu para um trono religioso na Terra.

a) O propósito era corromper o plano da salvação para impedir a experiência dos privilégios conquistados na cruz.

b) Ao desvirtuar o ministério de Cristo, iniciou-se um longo período de crise espiritual.

III. A CRISE PIORA COM A IMPLANTAÇÃO DA ABOMONAÇÃO DESOLADORA – Daniel 12:11

Está escrito: “Depois do tempo em que o diário for tirado, e posta a abominação desoladora...”. O problema reside em qualquer estrutura humana que atribua a si funções mediadoras exclusivas de Cristo.

1. O plano da redenção é substituído: Algo foi “posto” no lugar. O mesmo poder que obscureceu a função de Cristo ofereceu salvação por sacramentos humanos, desviando a atenção do Céu para a Terra, criando Papas, Sacerdotes, indulgências e missas.

2. A “abominação” indica algo detestável em oposição ao culto verdadeiro: Trata-se de uma pretensão religiosa que ocupa o lugar estabelecido por Deus, paralela à ação do “rei do Norte” em Daniel 11:31.

3. A palavra “desoladora” aponta para os efeitos de implantar a abominação: O meio de reconciliação passa a gerar afastamento, perseguição e devastação espiritual.

a) A “abominação desoladora” representa o sistema papal que estabeleceu uma falsa mediação terrestre, contrariando I Timóteo 2:5.

b) A Bíblia é clara que você tem acesso direto ao Pai por meio de Jesus.

c) Devemos guardar mente e coração contra ensinos diminuam a obra mediadora de Jesus.

IV. DEUS ESTABELECE LIMITES PARA A ABOMINAÇÃO DESOLADORA – Daniel 12:11

Está escrito: “...haverá ainda mil duzentos de noventa dias”. A crise duraria 1290 anos.

1. A abominação desoladora tem prazo de validade: Os “mil duzentos e noventa dias” mostram que o poder humano não é eterno; Deus limita o tempo da opressão.

2. O período de atuação:

a) Em 508, a aliança entre o reino franco e o bispo de Roma fortaleceu a união entre o braço político e religioso. Clóvis tornou-se o “Protetor da Igreja”.

b) A força civil foi usada para fins eclesiástico, consolidando um sistema religioso-político que desviou o foco do Sumo Sacerdote Celestial. Disso decorre que:

1) A Igreja perde sua natureza ao tentar converter pessoas pela força.

2) O Estado falha ao virar instrumento de imposição religiosa.

3) A liberdade de consciência é destruída pela coerção.

3. Contados a partir de 508, os 1290 anos findam em 1798, quando o poder papal sofreu um golpe sob a ação francesa: A própria providência utilizou o eixo político francês para limitar o sistema que antes ajudara erguer.

a) O processo iniciado por Clóvis em 508 encerrou seu ciclo temporal em 1798 com a prisão do Papa Pio VI pelo general Berthier.

b) A profecia mostra que os sistemas terrestres estão sob a regência do Deus soberano.

c) Nossa identidade primária deve estar no Reino eterno de Cristo.

CONCLUSÃO E APELO:

1. O texto de Daniel 12:11 apresenta quatro certezas:

a) A crise no cristianismo teve um começo conhecido por Deus.

b) O ministério de Cristo foi o centro obscurecido.

c) A religião cristã unida à coerção política produz desolação.

d) O erro tem um limite estabelecido pelo Senhor do tempo e da Igreja.

2. O maior perigo hoje é conhecer a profecia e manter os olhos no lugar errado:

a) É possível conhecer 508 e 1798 e não conhecer o Sacerdote Celestial.

b) É possível explicar o “contínuo” e não viver a intercessão de Cristo.

c) É possível denunciar a abominação e cultivar o espírito de domínio sobre as pessoas.

3. A pergunta real é: “Ondes estão fixos os meus olhos hoje?”

a) Em Cristo, no Santuário Celestial, na graça, na Palavra e na missão?

b) Ou estão em instituições, poder e controle humano?

O propósito da profecia não é apenas nos fazer olhar para trás, para 508 e 1798; é fazer-nos olhar para cima, para Cristo, nosso Sumo Sacerdote intercedendo no Santuário Celestial. Então, fixe teus olhos em Cristo!

Pr. Heber Toth Armí.

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