quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O EVANGELHO DA CRUZ NA VIDA PESSOAL DO CRISTÃO


INTRODUÇÃO:

1. A teologia da cruz no livro de Gálatas está ligada a Cristo, mas sua ênfase está na crucificação do cristão.
2. A teologia da cruz no livro de Gálatas mostra que todo cristão que não foi crucificado, que não está crucificado e que não continua crucificado não é cristão de verdade.
3. A teologia da cruz em Gálatas revela o que realmente o evangelho significa na prática para aqueles que verdadeiramente aceitam a Cristo em sua vida.

a) Gálatas apresenta cinco frases essenciais para entendermos o evangelho do ponto de vista da cruz.
b) Gálatas, nestas cinco frases, não deixa dúvidas sobre o que é conversão real a Cristo.

I. ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO – Gálatas 2:20

1. Estar crucificado com Cristo significa ter aceitado tão intimamente a Cristo a ponto de se sentir identificado com Ele na cruz do Calvário.
2. Estar crucificado com Cristo significar não viver mais, mas morrer completamente para que a vida ressurreta de Cristo ocupe plenamente o lugar da minha antiga vida pervertida.
3. Estar crucificado com Cristo, o qual tomou sobre si meus pecados, significa ter participado da morte por causa de minhas transgressões para que a vida de Cristo ressurja em mim.

II. CRISTO CRUCIFICADO POR MIM – Gálatas 3:1

1. Cristo é o representante legal do pecador na cruz, onde Ele pagou plenamente todas as nossas transgressões.
2. Cristo na cruz assumiu minha culpa tornando-se vítima substitutiva para que eu pudesse ter a possibilidade de vida eterna oferecida por Ele.
3. Cristo crucificado era a mensagem central do evangelho pregado por Paulo aos gálatas, e a mim também.

III. A CARNE CRUCIFICADA PARA MIM – Gálatas 5:24

1. As vontades carnais são crucificadas no momento da conversão; decidimos deixar de viver para nossos interesses para viver unicamente pelos interesses de Cristo.
2. A carne crucificada é uma renúncia radical e absoluta a cada tendência pessoal para que a vontade de Cristo governe a mente, o coração e a vida do cristão.
3. A carne sacrificada significa o eu estar morto, já não sou eu quem determino o que é bom para mim e como devo decidir e agir, mas o Espírito Santo.

IV. O MUNDO CRUCIFICADO PARA MIM – Gálatas 6:14

1. O mundo crucificado significa ter perdido o valor, isso equivale a seus atrativos, seus prazeres, suas filosofias, suas paixões, sua glória, sua fama, suas riquezas, seus encantos, etc.
2. O mundo crucificado para mim é uma visão radical de que não mais pertenço a este mundo, ou ao reino das trevas, mas a Cristo, e, consequentemente, ao reino de Deus.
3. O mundo crucificado para mim significa uma perca total de meus interesses oferecidos pelo mundo, porque meu único interesse é o reino dos Céus. 

V. EU CRUCIFICADO PARA O MUNDO – Gálatas 6:14

1. Eu crucificado para o mundo significa ser deserdado, considerado morto e sem valor pelo mundo.
2. Ao morrer para o mundo, o mundo diz adeus ao cristão; o qual perde-se, assim, totalmente, o vínculo com o mundo pervertido para ter vínculo com o reino divino.
3. Eu crucificado para o mundo é consequência natural do mundo estar crucificado para mim, já não trilho pelo caminho do pecado, da imoralidade, da corrupção, da injustiça, pois Cristo vive em mim; Ele, que é o caminho, a verdade e a vida – que nos leva ao Pai.

CONCLUSÃO E APELO:

Converter-se e tornar-se cristão significa abrir mão dos direitos, vontades e ambições pessoais, abrir mão dos próprios métodos de salvação, dos planos individuais, e então submeter tudo a Cristo para viver dependente dEle em toda e qualquer situação. Portanto, o desafio bíblico é:

1. Esteja crucificado com Cristo, identificando-se com Ele na cruz.
2. Aceite que Cristo foi crucificado por ti, morreu por ti para pagar a tua culpa.
3. Sacrifique tua carne a fim de que não vivas para tuas paixões, mas servindo a vontade do Espírito Santo.
4. Permita que o mundo seja crucificado para ti, ou seja, morto.
5. Assim, serás considerado crucificado para o mundo tornando-se súdito do reino dos céus.
Pr. Heber Toth Armí

segunda-feira, 31 de julho de 2017

PREFÁCIO DA LEI: UMA VISÃO DA GRAÇA!


INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Êxodo 20:1-2

1. Sem a graça não existiria lei, porque a lei é fruto da graça. “A lei é, desde sua origem, firmemente assentada num contexto de graça”, declarou R. Alan Cole.
2. Sem a graça, a lei não teria razão de existir, pois não teria nenhuma utilidade que nos beneficiasse. A Lei não era requisito de salvação. “Deus já havia restaurado Israel à justa relação com Ele, mediante a graça”. Agora, “o Senhor desejava dar-lhe algo que o ajudasse a continuar sendo Seu povo e a ter uma relação íntima com Ele” (Paul Hoff).
3. Sem a graça a lei não seria bênção, mas uma desgraça; assim como sem a libertação divina fica impossível qualquer obediência. “A obediência aos mandamentos se baseia na experiência de libertação efetuada por Deus, em Sua graça, a qual os primeiros 19 capítulos de Êxodo explicam” (Comentário da Bíblia Andrews).

I. ANTES DE PROCLAMAR SUA LEI, DEUS SE EXPRESSA PODEROSAMENTE, MAS TAMBÉM, GRACIOSAMENTE, PERANTE SEU POVO – Êxodo 20:1

Como poderia um Deus justo e santo relacionar-Se com um povo imundo, por estar tão contaminado com inúmeros pecados? O prefácio escrito por Moisés (“Então, falou Deus todas estas palavras”) ensina-nos importantes verdades:

1. Deus Se aproxima e fala aos seres humanos. O povo - não apenas Moisés - escutou as palavras de Deus (Êxodo 20:18-20).

2. Deus Se revela e revela Sua vontade aos pecadores desprovidos de dignidade. Escravos, sem mérito algum, os judiados e humilhados israelitas, agora livres, tiveram o privilégio de ouvir diretamente a Deus e conhecer Sua vontade por Ele mesmo.

3. Deus, não Moisés, revela graciosamente Sua Lei diretamente aos Seus súditos. Em Êxodo 20:1, Moisés apenas informa que foi Deus Quem falou todas aquelas palavras de Êxodo 20:2-17.

a) Os Dez Mandamentos não surgem da influência de literaturas ou legisladores pagãos, são frutos da graça reveladora de Deus.
b) Os Dez Mandamentos não surgem com Moisés querendo reinar ou impor sua formação cultural egípcia a um povo desnorteado; surgem do coração amoroso do Rei dos reis.
c) Os Dez Mandamentos não são cópias ou réplicas de leis humanas; antes de serem escritos, foram proferidos audivelmente a todo Israel pelo próprio Soberano do Universo, revelando nobres propósitos para Seus súditos.

II. ANTES DE PROCLAMAR SUA LEI, DEUS SE APRESENTA E REVELA SEUS ATOS GRACIOSOS AOS INDIGNOS ISRAELITAS – Êxodo 20:2

Como poderia um Ser tão poderoso e majestoso interessar-se por escravos tão indignos como os israelitas? As próprias palavras de Deus, ouvida pelo povo em pé no monte Sinai, registradas por Moisés (“Eu sou o Senhor, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”), revelam sublimes verdades:

1. O primeiro trecho, “Eu sou o Senhor”, é um preâmbulo em que o próprio Legislador se apresenta.
2. O segundo trecho, “que te tirei da terra do Egito”, é um prólogo histórico que indica um ato passado que resultou da infinita graça divina.
3. O terceiro trecho, “da casa da servidão”, relembra e explica a condição indigna em que os ouvintes de Deus se encontravam antes da libertação realizada por Ele.

a) Deus não exige nada antes de libertar o pecador. A libertação antecede às exigências divinas.
b) Deus não impõe requisitos para salvar ninguém, Ele salva e só depois apresenta a responsabilidade. Liberdade sempre implica em responsabilidades.
c) Deus não dá mandamentos para impor autoridade, mas porque Sua bondade anseia o melhor para a humanidade criada por Ele à Sua imagem e semelhança.

CONCLUSÃO:

1. O mesmo Deus que Se apresenta como Redentor do povo, se revela como o Legislador.
2. A mesma graça que motiva Deus a redimir escravos, O motiva a entregar uma Lei para reger a vida de Seus súditos.
3. Os mesmos atos de bondade e graça manifestos na libertação estão presentes na proclamação da Lei dos Dez Mandamentos.

a) A todos nós, que estávamos condenados à morte, escravos do mundo, da carne e do diabo e, desprovidos de mérito algum, Deus misericordiosamente nos amou, nos libertou e nos deu vida juntamente com Cristo (Efésios 2:1-5).
b) A todos nós, que, sendo escravos do pecado, não éramos povo, Deus nos salvou (libertou) para que pudéssemos ser um povo, uma nação santa, com leis santas para orientar nossa vida (João 8:34-36; II Pedro 2:9).
c) A todos nós, Deus revelou Sua graça através dos atos de libertação e da proclamação de Sua Lei. A Lei é fruto da graça tanto quanto nossa salvação. Deus nos quer livres da desgraça da desobediência, da escravidão do pecado, e das garras do diabo.

APELO:

1. Aceite a graça da libertação e seja livre da condenação resultante do pecado.
2. Aceite a graça da Lei que graciosamente o Legislador proclamou para orientar nossa liberdade.
3. Aceite a graça de Deus em todas as suas formas então serás verdadeiramente um súdito livre, feliz e nobre.
Pr. Heber Toth Armí

segunda-feira, 24 de julho de 2017

PARTIR E ESTAR COM CRISTO: O MAIOR ANSEIO DO CRISTÃO


INTRODUÇÃO: Texto Bíblico Principal: Filipenses 1:20-26

1. Cristãos dedicados não são blindados para não sofrer. O grande missionário e apóstolo Paulo sabia muito bem isso por experiência própria. Quando escreveu aos filipenses ele estava preso, e já tinha passado por inúmeras situações deprimentes (ver II Coríntios 11:23-28; Filipenses 4:12).

2. Cristãos missionários são determinados a despeito das oposições, obstáculos e problemas que encontram ao executar a obra de Deus (Filipenses 1:12-19).

3. Cristãos estudiosos e espirituais conhecem a Palavra de Deus e a realidade do mundo em que testemunham de Cristo, sabendo que podem se tornar mártires a qualquer momento.

a) Paulo não era ignorante a respeito da morte, ele expõe criteriosamente o assunto visando orientar os crentes preocupados em Tessalônica alegando que ninguém vai para o Céu ao morrer, mas na segunda vinda de Cristo (I Tessalonicenses 4:13-18).

b) Paulo, sendo novo aguardava a segunda vinda de Cristo ainda em seu tempo; pensou que iria ao céu sem passar pela morte. Em I Coríntios 15:51 e 52 ele fala da ressurreição dos mortos, e da transformação dos vivos – incluindo-se entre os vivos.

c) Conhecendo o que as Escrituras dizem sobre a morte (Jó 7:9-11; Salmo 115:17; Eclesiastes 9:5, 10; Daniel 12:2, etc.) Paulo, prevendo seu martírio, em II Coríntios 4:14 incluiu-se entre os ressuscitados. Em Filipenses ele está novamente preso e ameaçado de morte, é nesta circunstância que ele faz uma poderosa reflexão. 

I. ENGRANDECER CRISTO NA VIDA OU NA MORTE CARACTERIZA QUEM ENTENDEU O QUE VERDADEIRAMENTE SIGNIFICA SER TESTEMUNHA DELE – Filipenses 1:20

Paulo era uma pessoa convicta. Ele sabia o que queria. Não titubeava frente às ameaças de morte nem era prolixo quando escrevia. Sua determinação cristã tornava firme e clara as suas declarações.

1. Nenhuma circunstância adversa deve confundir ou levar o cristão a titubear diante da missão de proclamar a Cristo. 

2. Nenhuma força externa (perseguição, ameaça, prisão, etc.) ou interna (medo, preocupação ou dúvida) deve sufocar a coragem de exaltar a Cristo em todo e qualquer lugar em que o cristão se encontrar.

3. Quem se rendeu completamente a Cristo desejará revelar seu compromisso fiel com Ele tanto na vida quanto na morte – isso é ser testemunha genuína de Cristo!

II. DESEJAR ESTAR COM CRISTO É MUITO MELHOR DO QUE VIVER OU MORRER AQUI NESTE MUNDO DE MALDADES, INJUSTIÇAS E SOFRIMENTOS – Filipenses 1:21-23 

Paulo expõe os anseios mais profundos de sua alma. Na cadeia, prevendo sua sentença de morte, ele abre o coração e revela suas mais íntimas emoções e ensina-nos preciosas lições.

1. O viver é Cristo: Tudo na vida de Paulo era Cristo. Seu foco era Cristo. Sua mensagem era Cristo. Seu objetivo e todo seu empenho era engrandecer a Cristo em seu corpo, seja na vida e, se necessário, na morte. 

2. O morrer é lucro: Morrer não é sinônimo de viver; ao contrário, é um contraste. São duas situações extremamente opostas. O morrer é lucro para Paulo porque o martírio promove a fé dos cristãos, e desperta a fé nos pagãos.

3. Melhor mesmo é partir e estar com Cristo: Paulo não disse que queria morrer para estar com Cristo. Na época de Paulo, “partir” não era sinônimo de “morrer”; significava desatar o navio, levantar a âncora e içar as velas, ou desarmar as barracas e levantar acampamento. Então, o que Paulo quis dizer?

a) Melhor do que viver neste mundo de maldades, injustiças e sofrimentos é estar com Cristo no Céu.

b) Melhor do que morrer como mártir é partir para o céu a fim de desfrutar da augusta presença de Cristo.

c) Melhor do que qualquer coisa é estar pessoalmente com Cristo no Céu sem passar pela terrível agonia da morte, ou melhor, do martírio.

III. INFLUENCIAR POSITIVAMENTE À IGREJA DE CRISTO É O INTERESSE DE TODO DISCÍPULO FIEL – Filipenses 1:24-26

Paulo almejava sair da cadeia para estar entre os cristãos de Filipos. Suas expectativas não eram egoístas, mas o benefício dos outros. Ser discípulo significa discipular outros para que cresçam em Cristo. 

1. Quem entende realmente que a morte é a cessação da vida, das atividades, de tudo, certamente vai querer viver mais – jamais morrer. Paulo disse que...

a) É mais necessário estar vivo para a igreja do que morto.
b) Desejava sair da cadeia/prisão para permanecer com a igreja objetivando o desenvolvimento dos membros na alegria da fé.
c) Sua presença entre os cristãos de Filipos traria satisfação ao coração deles.

2. Quem tem Cristo como foco, o alvo da vida neste mundo, deseja permanecer vivo para continuar empenhado no avanço do reino de Deus levando mais e mais pessoas à salvação.

3. Quem sabe o que biblicamente significa a morte, desejará viver para influenciar ainda mais a igreja de Cristo a fim de ajudar os cristãos no desenvolvimento da fé que resulta em alegria (Filipenses 2:14-18).

CONCLUSÃO:

1. O discípulo vive para testemunhar de Cristo em sua vida, mas ao correr risco de morte por causa de seu testemunho, se dispõe a proclamar Cristo com sua morte. O cristão anseia engrandecer a Cristo em seu corpo, mesmo que se torne cadáver.
2. O discípulo bíblico tem Cristo como sua razão de existir. A morte não é existir, é deixar de existir, é parar de falar de Cristo; implica quebra dos laços de amizade, fim do trabalho, interrupção da obra na igreja. Perseguido, preso e ameaçado muitas vezes, os servos de Cristo anseiam partir deste mundo para estar com Ele no céu sem passar pela agonia da morte.
3. O discípulo de Cristo não quer morrer. Seu anseio maior é estar na presença de Cristo. Mas, até a segunda vinda de Cristo ou até morrer, desejará viver para trabalhar pela igreja Cristo.

APELO:

1. Quer vivamos ou morramos, testemunhemos de Cristo.
2. Quer vivamos ou morramos tenhamos o propósito de sempre engrandecer a Cristo aos convertidos e não convertidos.
3. Quer vivamos ou morramos que nosso maior anseio seja partir para estar com Cristo.
Pr. Heber Toth Armí

quarta-feira, 28 de junho de 2017

NA COMPANHIA DO PASTOR: Um olhar escatológico sobre o Salmo mais popular da Bíblia


     O livro dos Salmos é o maior dos 66 livros da Bíblia, contendo 150 Salmos. Por servirem de inspiração, a maioria dos leitores da Bíblia tem grande interesse por eles. As poesias e canções inseridas nesse livro têm animado pessoas de todas as épocas, além de atrair grandes escritores e pregadores, como Charles Spurgeon, que, entre 1882 e 1886, publicou sete volumes sobre os Salmos.

     Espelhando os procedimentos de Hermann Gunkel quanto ao método da crítica da forma, que analisa os salmos de acordo com suas formas, contexto e propósito no culto, Hans-Joaquim Kraus escreveu um comentário intitulado Teologia dos Salmos e destacou a necessidade de se focalizar especialmente as ações e a natureza de Deus. Embora os salmos sejam palavras humanas ditas a Deus, eles fazem parte da Bíblia, que é a Palavra de Deus.

     Em síntese, os Salmos são uma coletânea de orações e hinos inspirados hebraicos que oferecem conforto e esperança. Para os cristãos, provavelmente eles sejam a porção mais lida e apreciada do Antigo Testamento. Pela sua própria natureza, são hinos dirigidos a Deus e que expressam verdades com melodias acerca do Criador.

     Os Salmos têm diversos autores, sendo que 73 do total de 150 são de autoria davídica. Antes de se tornar rei de Israel, Davi foi pastor de ovelhas e, com bom conhecimento na área, escreveu uma analogia relacionando pastor de ovelhas com o Bom Pastor. Dentre os 73 Salmos escritos por ele, o Salmo do Pastor (23) tem sido o preferido de multidões.

     Embora o Salmo 23 seja muito apreciado, muitos não o compreendem na totalidade. A compreensão dessa querida obra literária depende não só da familiaridade do leitor com o estilo poético oriental dos salmos, o contexto da época em que foram escritos, mas também da familiaridade com as Sagradas Escrituras. Afinal, esse salmo pode ser lido por uma perspectiva escatológica e isso o conecta com outras partes e promessas da Bíblia.

     O Salmo está dividido em duas partes. A primeira, seguindo a analogia do cuidado de um pastor por suas ovelhas, representa Deus, ou mesmo Jesus, como Bom Pastor. As promessas dos versos de 1 a 4 podem ser vistas como se cumprindo na vida das ovelhas de Cristo aqui neste mundo, no tempo presente. Porém, mesmo com as promessas de provisões, proteção, segurança, direção e amor, as ovelhas ainda enfrentam momentos desagradáveis, tristezas e angústias terríveis. Até o retorno de Cristo as adversidades tendem a piorar.

     A segunda parte aponta para um tempo além das promessas do presente. A linguagem já não é comparativa, mas profética. Não mais existe a ideia de pastor e ovelhas. Prova disso é que a ovelha não senta junto a uma mesa, muito menos à frente de seus inimigos. A ovelha não recebia nenhum tipo de unção, nem mesmo tinha taça, e nenhuma ovelha morava dentro da casa do pastor (aliás, o texto não menciona a casa do pastor, mas o próprio Deus e Sua morada).

      Para Davi, unção significa mudança de vida e privilégios. De um simples adolescente que pastoreava ovelhas no campo, ele passou a ser rei após ter sido ungido com óleo (azeite). Nesse contexto, unção significa transformação. É deixar de ser mera ‘ovelha’, inocente, dependente e com visão curta, para se tornar rei juntamente com Cristo no Céu.

     Preparar uma mesa, tema que aparece no verso 5, significa ter alimento para comer na companhia de amigos. Quando Davi escreveu o Salmo 23, uma ceia numa mesa preparada era sinônimo da união de grupos e indivíduos. Sentar-se à mesa consolidava a lealdade e era sinal de segurança e alegria, uma verdadeira festa. No banquete escatológico, Jesus é o Rei que convida Seus súditos para a abundância de manjares.

      Por fim, a ovelha vai habitar em lugar especial (v. 6). Mas o texto não diz que é na casa do pastor, e sim na Casa do Senhor, no Céu. Após a recepção e a celebração da vitória sobre o pecado, os súditos do Rei Jesus serão conduzidos para as mansões preparadas por Ele mesmo!

      Em síntese, podemos atribuir perfeitamente o Salmo 23 a experiência de fé que o cristão fiel viverá antes e depois da segunda vinda de Cristo. Pois haverá um ‘vale da sombra da morte’, mas o grande Pastor se levantará para proteger e guiar Suas ovelhas.

O Salmo 23 pode ser lido por uma perspectiva de vida futura ao lado do grande Pastor e isso o conecta com outras partes e promessas da Bíblia.

Pr. Heber Toth Armí
Artigo publicado na Revista Adventista de junho de 2017


segunda-feira, 12 de junho de 2017

DEUS CANTA ALEGREMENTE BELAS MÚSICAS DE AMOR!


INTRODUÇÃO: Texto bíblico principal: Sofonias 3:17

1. Deus não é carrancudo, triste, frio e indiferente diante de Seu povo.
2. Deus é alegre, e vários textos bíblicos declaram isso. Veja alguns:

a) “... porquanto o Senhor tornará a alegrar-se em ti para te fazer bem, como se alegrou em teus pais...” (Deuteronômio 30:9, NVI).
b) “Porque o Senhor se alegra com o Seu povo. Ele recompensará os humildes, dando-lhes salvação” (Salmo 149:2 [4], o Livro). A NTLH diz: “O Senhor está contente com Seu povo...”.
c) “Eu ficarei contente com Jerusalém, e o Meu povo Me encherá de alegria...” (Isaías 65:19, NTLH). A Bíblia de Jerusalém traduz assim: “Sim, regozijar-Me-ei em Jerusalém, sentirei alegria em Meu povo”.
d) Assim como o Antigo, o Novo Testamento oferece-nos vários textos que revelam satisfação e alegria de Deus, veja Lucas 15:5-6, 23-24, 32; João 15:11.
3. Deus Se alegra e canta, e não há melhor texto para esclarecer isso como Sofonias 3:17:

a) Na Nova Versão Internacional: “O Senhor, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele Se regozijará em você, com Seu amor a renovará, Ele Se regozijará em você com brados de alegria”. 

b) Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

“Pois o Senhor, seu Deus, está com vocês;
Ele é poderoso e o salvará.
Deus ficará contente com vocês
E por causa de Seu amor Lhes dará nova vida.
Ele cantará e se alegrará,
Como se faz num dia de festa”.

c) Na paráfrase A Mensagem:

“Seu Eterno está presente entre vocês,
O Guerreiro forte pode salvá-la.
Feliz por você ter voltado, Ele irá acalmá-la com Seu amor
E alegrá-la com Suas belas canções”.

I. DEUS AMA AOS SERES HUMANOS – Sofonias 3:17

Por amar aos seres humanos, Deus:
1. Se aproxima deles para estar bem junto, no meio deles.
2. Se apresenta como o Guerreiro poderoso deles para lhes proteger.
3. Faz de tudo para libertá-los e salvá-los:

a) De inimigos e outras ameaças que promovem medo e angústia.
b) De situações deprimentes, opressoras e repressoras.
c) Do pecado e de todas as suas terríveis consequências e desgraças.

II. DEUS SE ALEGRA COM OS PECADORES – Sofonias 3:17

1. Deus Se alegra por amar aos pecadores e estar na companhia deles.
2. Deus Se empolga alegremente e vibra com o sucesso dos pecadores:

a) Quando eles aprendem o quanto carecem de Seu amor e graça.
b) Quando eles se arrependem de seus pecados e voltam para Ele.
c) Quando eles permitem que Ele opere com Seu poder em sua vida.
d) Quando eles recebem positivamente a vida, o amor e o perdão oferecidos por Ele.
e) Quando eles são libertos da situação deprimente, opressora e repressora causada pelo pecado.

III. DEUS CANTA PARA OS SALVOS – Sofonias 3:17

1. O amor de Deus por Seu povo enche Seu coração de alegria pelo simples fato de Ele estar presente no meio de pecadores que se rendem a Ele – isso O motiva a cantar!
2. O amor de Deus ligado à alegria é tão empolgante a tal ponto de levar o Soberano do Universo a cantar entusiasticamente.
3. Deus compõe e canta belíssimas canções para pecadores, quando estes se arrependem de seus pecados e aceitem Seu plano de salvação elaborado com infinito e divino amor.

CONCLUSÃO:

1. Deus ama os seres humanos, por isso Se dedica ao máximo para resgatá-los das terríveis consequências causadas pelos pecados: “A mais bonita e encorajadora imagem de Deus no livro de Sofonias é apresentada no capítulo 3:17, que resume bem as atividades únicas de Deus por Seu povo fiel [...]. Deus nos fala em Sua linguagem de amor, assim como um pai, com toques amorosos, beijos e palavras gentis, acalma um filho que está aflito, chorando, com medo e decepcionado, até que ele fique tranquilo e durma em seus braços, confiando e descansando nesse amor. Da mesma forma, Deus dá a Seus filhos a certeza de que eles estão seguros e protegidos em Seu amor e, assim, Ele nos acalma” (Zdravko Stefanivic, Lição da Escola Sabatina, abril-junho, 2013, p. 115).

2. Deus se alegra quando vê pecadores aderindo aos Seus amorosos propósitos: Quando pecadores passam a servir a Deus e a adorá-lO, o próprio Deus fica satisfeito; por isso Ele “é retratado numa atividade incomparável (nunca mais mencionada em todo o Antigo Testamento): Ele está regozijando sobre Seu povo com alegria” (Jiri Moskala, Teologia e Metodologia da Missão, p. 50).

3. Deus canta alegremente quando seres humanos O servem integralmente: “Aquele que mais se aproxima da perfeição da divina benevolência de Cristo causa alegria entre os anjos celestiais. O Pai se regozija a seu respeito com cânticos; pois, acaso, não está trabalhando no Espírito do Mestre, sendo um com Cristo assim como Ele é um com o Pai?” (Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 480).

APELO:

1. Sendo que você é alvo do amor de Deus, deixe-O agir em tua vida para te libertar de tudo aquilo que te impede viver de verdade para, então, guiar-te para a verdadeira felicidade.
2. Sendo que Deus se alegra em você quando permites que Ele te liberte, te guia e salva para que O sirvas e O adore com entusiasmo e satisfação, não rejeite Sua presença. Seja motivo de maior alegria para Ele entregando-se a Ele e a Seu serviço.
3. Sendo que Deus canta com empolgação ao vibrar com teu sucesso em Seus elevados e maravilhosos planos, prepare-se para vê-lO cantar lá no Céu quando os fieis forem levados para estar continuamente na presença divina.

Pr. Heber Toth Armí

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